Termômetro: talvez, o grande marco da medicina experimental
Termômetro: talvez, o grande marco da medicina experimental

Há um tempo, escrevi aqui no blog sobre o uso de exames complementares no diagnóstco das disfunções têmporomandibulares e um dos mais importantes questionamentos que levantei foi justamente: o que entendemos por diagnóstico?

DIAGNÓSTICO,  do grego  dia=["através de, durante, por meio de"]+ [gnosticu="alusivo ao conhecimento de"]

Certamente o que entendemos por diagnóstico tem se modificado ao longo do tempo e, o principal agente dessa mudança, é o conhecimento científico que se encontra invariavelmente atrelado à tecnologia. Na idade média, a tecnologia e o conhecimento científico limitados permitiam poucos parâmetros de avaliação e consequentemente as doenças eram identificadas apenas pelos seus sinais e sintomas mais evidentes como febre e lesões na pele como por exemplo a febre (peste) negra e a lepra. Logo é fácil perceber que o diagnóstico era limitado às evidências físicas encontradas, de modo que o diagnóstico clínico era basicamente a mesma coisa do diagnóstico físico. Abordarei mais adiante as diferentes modalidades de diagnóstico.

Leia mais…

, , ,

Finalizando a série: >> É possível fechar o diagnóstico SEM os chamados “exames complementares”?

Quanto vale a saúde? Quem pode julgar que valor outra pessa dá à propria saúde?

Quanto vale a saúde? Quem pode julgar que valor outra pessa dá à propria saúde?

    1. Sim, porque na anamnese e exame clínico as coisas podem estar claras e fechar o diagnóstico com base nos sinais e sintomas;
    2. Sim, pois assim como na medicina, há doenças que o diagnóstico é eminentemente clínico como, por exemplo, a fibromialgia.
    3. Sim, depende da experiência do profissional;
    4. Sim, pois nem todo paciente pode pagar por uma ressonância magnética ou uma tomografia e aí se pode diagnosticar e tratar com base no diagnóstico clínico.

E analisando a quarta resposta…

    O “sim” número quatro é o que menos me agrada… Primeiro que é altamente preconceituoso. Como o profissional vai saber quem pode ou não pagar por um exame? É quase como privar uma pessoa de um diagnóstico correto por sua condição financeira! Imagine você, leitor, entrando num consultório atrás de respostas para seus problemas de saúde e recebendo um sub-diagnóstico, apenas porque o dentista ou o médico achou que você não poderia pagar por um determinado exame… Realmente, não vejo com bons olhos esse critério. Além de tudo, esse argumento, é quase como uma concordância de que os estudos complementares são também fundamentais, pois carrega basicamente a seguinte mensagem subliminar: “É… Já que não posso fazer o melhor [com o diagnóstico correto] vou dar um jeitinho [sem os estudos necessários]” Seria até um comportamento válido numa situação de guerra ou caos social, quando não se pode fazer 100% e tem de se contentar com o pouco que for possível, mas não em um consultório particular e nem SUPONDO que o paciente seja incapaz de conseguir os exames necessários… Fique esperto!
,

Em postagem anterior comentei sobre o “sim” das respostas de  número  um e dois, para a pergunta abaixo:

>> É possível fechar o diagnóstico SEM os chamados “exames complementares”?

1.      Sim, porque na anamnese e exame clínico as coisas podem estar claras e fechar o diagnóstico com base nos sinais e sintomas;

2.      Sim, pois assim como na medicina, há doenças que o diagnóstico é eminentemente clínico como, por exemplo, a fibromialgia.
3.      Sim, depende da experiência do profissional;

4.      Sim, pois nem todo paciente pode pagar por uma ressonância magnética ou uma tomografia e aí se pode diagnosticar e tratar com base no diagnóstico clínico.

Nesta postagem, abordarei a resposta nº3.

_____________________________

O mito do médico deus

O mito do médico deus

O “sim” numero três é o típico caso de síndrome da onipresença, onipotência e onisciência do profissional de saúde… Se uma pessoa acha que pode dar uma de Deus ou de bruxo, adivinhando o que o paciente tem, justificando apenas que “têm experiência” para isso, este profissional estará a meio passo de cometer um erro por negligência (de uma investigação mais aprofundada) ou imprudência (por excesso de confiança)!!!

Então quer dizer que a experiência do profissional não serve de nada?

DE JEITO NENHUM!!! Não é isso! Claro que a EXPERIÊNCIA é EXTREMAMENTE IMPORTANTE!!!!  Ela é fundamental para um profissional amadurecer na sua área de atuação, aprimorar-se, acumular conhecimentos e compartilhá-los em algum momento. Entretanto a “experiência” é algo que não se aprende apenas por cursos e livros, não é uma ciência em si mesma, nem pode ser transferida facilmente de uma pessoa a outra como se fosse conectada por USB!

Experiência é importante, mas não pode ser o único critério de confiança para se obter um diagnóstico, aliás, como se retrata atualmente na pirâmide da ciência baseada em evidência, a experiência profissional (através da sua opinião) está na base da mesma, estando acima dela os relatos de casos, as séries de casos, os estudos controlados, ensaios clínicos randomizados, as revisões sistemáticas de literatura, etc., pois estas somam as experiências de diversas pessoas em diversos lugares do mundo de forma mais imparcial e menos subjetiva a respeito de um mesmo tema.

Dito de outra forma, quem defende a ciência baseada em evidência, não pode pregar um diagnostico de patologias da ATM apenas com base na experiência de uma pessoa, mesmo que essa pessoa seja ela mesma!

Desafio a qualquer profissional a dizer apenas com sua experiência e exame clínico ( e SEM ressonância, obviamente) quais pacientes em um grupo de 100, tem necrose medular no côndilo ou ruptura parcial de um ligamento colateral da ATM, por exemplo.

Experiência, sim! Negligência e imprudência, NÃO!!!

Fique esperto!

, ,

Continuando a série sobre exames complementares e patologias da ATM, comentarei aqui sobre as duas

Palpação clínica

Palpação clínica

primeiras respostas à pergunta abaixo:

É possível fechar o diagnóstico SEM os chamados “exames complementares”?

Respostas:

1.      Sim, porque na anamnese e exame clínico as coisas podem estar claras e fechar o diagnóstico com base nos sinais e sintomas;

2.      Sim, pois assim como na medicina, há doenças que o diagnóstico é eminentemente clínico como, por exemplo, a fibromialgia.

3.      Sim, depende da experiência do profissional;
4.      Sim, pois nem todo paciente pode pagar por uma ressonância magnética ou uma tomografia e aí se pode diagnosticar e tratar com base no diagnóstico clínico.

___________________________________

Os “sim” de números um e dois caracterizam o típico caso de doença diagnosticada apenas com base nos sinais e sintomas, mas qual o problema nisso? Está correto?  Sim, está correto, mas INCOMPLETO e INSUFICIENTE no que diz respeito as patologias da ATM e diversas outras enfermidades na medicina.

Diagnosticar com base em sinais e sintomas é uma das características mais antigas e fundamentais das ciências da saúde, afinal, desde os tempos mais remotos da história humana, os sinais e sintomas são as primeiras coisas que uma pessoa pode detectar ao perceber que alguém está doente. Mas, à medida que o conhecimento científico e a tecnologia foram se desenvolvendo, tornou-se possível investigar doenças mesmo que elas não estejam manifestando sintomas em um dado momento. Deste modo, a partir do instante em que é possível saber se há ou não uma patologia (doença), diagnosticar apenas com base nos sinais e sintomas pode ser INSUFICIENTE, como o é no caso de patologias da ATM!

Exemplos não faltam, uma metástase pode estar completamente assintomática e, no entanto, ser detectada numa cintilografia; uma palpação mamária pode não detectar um lesão muito pequena, mas uma mamografia ou uma ressonância magnética pode percebê-la; um disco da ATM completamente lesionado e deslocado pode não produzir ruído nenhum e ser detectado na ressonância magnética…

Isso faz com que a avaliação fundamental (anamnese e exame clínico) seja obrigatoriamente complementada por estudos dirigidos a um determinado fim, seja ele para confirmar ou para excluir uma hipótese de diagnóstico.

Até mesmo doenças que não possuem um exame que a possam determinar como é o caso da fibromialgia, migrâneas, dentre outras precisam que sejam utilizados estudos complementares para exclusão de enfermidades similares, por mais típico que seja o quadro clínico, sob o risco de se iniciar um tratamento que a médio/longo prazo descobre que estava inadequado, incompleto ou desnecessário.

Fique esperto!

, ,
Porque não se aprofundar no diagnóstico?

Porque não se aprofundar no diagnóstico?

Este tópico foi motivado pela “enxurrada” de perguntas que recebi de alguns participantes do CIOBA – Congresso Internacional de Odontologia da Bahia, logo após a minha palestra, que intitulava-se: “Diagnóstico por imagem: uma ferramenta indispensável para os clínicos“.

Algumas perguntas, aparentemente simples, se mostraram bastantes complexas e desencadearam um debate de idéias e conceitos que tentarei explorar e desenvolver no texto que segue abaixo.

>> É possível fechar o diagnóstico SEM os chamados “exames complementares”?

Muitas vezes escuto variações de “sim” para essa última pergunta:

1.      Sim, porque na anamnese e exame clínico as coisas podem estar claras e aí pode-se fechar o diagnóstico com base nos sinais e sintomas;

2.      Sim, pois assim como na medicina, há doenças que o diagnóstico é eminentemente clínico como, por exemplo, a fibromialgia.

3.      Sim, depende da experiência do profissional;

4.      Sim, pois nem todo paciente pode pagar por uma ressonância magnética ou uma tomografia e aí pode-se diagnosticar e tratar com base no diagnóstico clínico.

Quando escuto algum “sim” similar a esses que citei, sempre me deparo com um problema ainda maior e que, quando respondido, explica boa parte da grande confusão de idéias a respeito das patologias da ATM: O QUE ENTENDEMOS POR DIAGNÓSTICO? ??

Abrirei uma nova postagem para cada “sim” desse!

, ,