Em uma postagem anterior, escrevi sobre o que é a síndrome dolorosa miofascial (SDM) e o porquê, no campo das dores da cabeça e da  face, ela só pode ser diagnosticada por exclusão. Entretanto, muita gente recebe um diagnóstico primário de SDM ou mesmo a confunde com uma disfunção muscular da ATM, mas qual é a diferença?

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Muitas pessoas que sentem dor em alguma parte do corpo, especialmente na face, recebem um “diagnóstico” de Síndrome Dolorosa Miofascial – SDM, mas o que vem a ser essa síndrome? Dá para realmente chamar isso de diagnóstico? Qual a relação com a disfunção da ATM?  O que fazer se seu médico/dentista lhe disse estar com SDM?

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Frequentemente recebo e-mails ou comentários aqui no blog, mencionando um tipo de situação que é a seguinte:

A pessoa faz um tratamento ortodôntico mas que no decorrer do mesmo desenvolve sintomas de uma disfunção da ATM.  Ao relatar ao dentista, este entra com um tratamento à base de  remédios, compressas e exercícios, eventualmente algum tipo de placa oclusal também e, em muitos casos, o paciente até melhora. Posteriormente, ao retomar o tratamento ortodôntico, os sintomas da DTM retornam e o paciente fica confuso ou mesmo angustiado.  O que acontece em casos assim?

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Essa é, talvez, uma das dúvidas mais frequêntes que escuto no dia a dia, seja aqui no blog ou no consultório. Quando consultamos profissionais de uma determinada área e estes apresentam opiniões divergentes, ficamos realmente desorientados, especialmente se a nossa saúde estiver em jogo.  Entretanto,  no meio científico, em áreas onde há muita polêmica é relativamente comum que se encontrem opiniões contraditórias, por exemplo, na área médica há profissionais como o Dr. Elsimar Coutinho que defende a supressão da menstruação, enquanto que um grande número de profissionais se opõe a essa idéia. No entanto quem está certo? Afinal, pela lógica, se um dos lados estiver correto, o outro deverá estar errado, certo? Em quem confiar? Quem escolher para cuidar da nossa saúde?

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Quem frequenta as redes sociais da internet e participa de comunidades de dor crônica, já descobriu que muitas pessoas que sofrem com uma disfunção da ATM, passam por uma verdadeira via cruces: se consultam com muitos profissionais diferentes, fazem múltiplos tratamentos e, infelizmente, algumas terminam com sequelas devido a algum tratamento mais invasivo. Nesses casos, os paciente normalmente estão já descrentes e sem muitas esperanças de terem seus problemas resolvidos, ou pelo menos, a dor controlada. Mas o que esperar dos profissionais de saúde que trabalham com disfunção da ATM?

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AAPMO artigo ” Current diagnosis of temporomandibular pathology” publicado em conjunto com o Dr. Jorge Learreta, Dr. Andreas Durst e Dra. Jane Matos, foi incluso na lista de artigos de referência da AAPM – American Academy of Pain Management (Academia Americana de Manejo da Dor) uma  das mais importantes e atuantes organização da área de DOR CRÔNICA!!!

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Termômetro: talvez, o grande marco da medicina experimental
Termômetro: talvez, o grande marco da medicina experimental

Há um tempo, escrevi aqui no blog sobre o uso de exames complementares no diagnóstco das disfunções têmporomandibulares e um dos mais importantes questionamentos que levantei foi justamente: o que entendemos por diagnóstico?

DIAGNÓSTICO,  do grego  dia=["através de, durante, por meio de"]+ [gnosticu="alusivo ao conhecimento de"]

Certamente o que entendemos por diagnóstico tem se modificado ao longo do tempo e, o principal agente dessa mudança, é o conhecimento científico que se encontra invariavelmente atrelado à tecnologia. Na idade média, a tecnologia e o conhecimento científico limitados permitiam poucos parâmetros de avaliação e consequentemente as doenças eram identificadas apenas pelos seus sinais e sintomas mais evidentes como febre e lesões na pele como por exemplo a febre (peste) negra e a lepra. Logo é fácil perceber que o diagnóstico era limitado às evidências físicas encontradas, de modo que o diagnóstico clínico era basicamente a mesma coisa do diagnóstico físico. Abordarei mais adiante as diferentes modalidades de diagnóstico.

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Finalizando a série: >> É possível fechar o diagnóstico SEM os chamados “exames complementares”?

Quanto vale a saúde? Quem pode julgar que valor outra pessa dá à propria saúde?

Quanto vale a saúde? Quem pode julgar que valor outra pessa dá à propria saúde?

    1. Sim, porque na anamnese e exame clínico as coisas podem estar claras e fechar o diagnóstico com base nos sinais e sintomas;
    2. Sim, pois assim como na medicina, há doenças que o diagnóstico é eminentemente clínico como, por exemplo, a fibromialgia.
    3. Sim, depende da experiência do profissional;
    4. Sim, pois nem todo paciente pode pagar por uma ressonância magnética ou uma tomografia e aí se pode diagnosticar e tratar com base no diagnóstico clínico.

E analisando a quarta resposta…

    O “sim” número quatro é o que menos me agrada… Primeiro que é altamente preconceituoso. Como o profissional vai saber quem pode ou não pagar por um exame? É quase como privar uma pessoa de um diagnóstico correto por sua condição financeira! Imagine você, leitor, entrando num consultório atrás de respostas para seus problemas de saúde e recebendo um sub-diagnóstico, apenas porque o dentista ou o médico achou que você não poderia pagar por um determinado exame… Realmente, não vejo com bons olhos esse critério. Além de tudo, esse argumento, é quase como uma concordância de que os estudos complementares são também fundamentais, pois carrega basicamente a seguinte mensagem subliminar: “É… Já que não posso fazer o melhor [com o diagnóstico correto] vou dar um jeitinho [sem os estudos necessários]” Seria até um comportamento válido numa situação de guerra ou caos social, quando não se pode fazer 100% e tem de se contentar com o pouco que for possível, mas não em um consultório particular e nem SUPONDO que o paciente seja incapaz de conseguir os exames necessários… Fique esperto!
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