Dr. Marcelo e Dr. Donald Warren, Presidente da AACP-USA

Dr. Donald Warren, Presidente da AACP-USA e Dr. Marcelo Matos

Foi com um caso clinico de regeneração de côndilo que obtive o primeiro lugar no concurso de painéis científicos no congresso da American Academy of Craniofacial Pain – AACP, que ocorreu nos dias 17 e 18 de outubro no Chile.

De acordo com a propria comissão científica, foi muito difícil a definição do primeiro lugar uma vez que todos os trabalhos apresentados eram de alto nível e bem documentados. Em segundo lugar ficou o painel do Dr. Franz  Strauss, com o tema: ” Importancia de la RNM en el diagnostico de las patologias de atm” e em terceiro lugar o painel do Dr. Victor A. Boettner, com o tema: “Angulos de ejes horizontales de los condilos mandibulares y ejes horizontales intercondilares en ressonancias magneticas“.

No meu trabalho, eu relatei um caso clínico de uma lesão extensa das ATM´s, especialmente no côndilo direito, que apresentava uma necrose importante com consequente alteração funcional detectada na eletromiografia de superfície e em outros estudos funcionais. A ressonância de final do tratamento, assim como os exames funcionais, mostraram a regressão da patologia e recuperação das funções normais do sistema mastigatório.

O Painel de REGENERAÇÃO DE CÔNDILO: RELATO DE CASO está disponível no blog do Ge-JAL.

A comissão científica que julgou todos os painéis foi composta por:

Dr. Donal Warren (USA)

Presidente da AACP  – American Academy of Craniofacial Pain
Diplomate da American Board of Orofacial Pain
Diplomate da American Board of Craniofacial Pain
Diplomate da American Academy of Craniofacial Management
Past member Editorial Review Board, Complementary Medicine International, University of Arkansas Medical School
Texas College of osteopatic Medicine

Dr. Robert Talley (USA)

Consultor do Center for Device and Radiology do FDA – USA
Diplomate da American Board of Orofacial Pain
Diplomate da American Board of Craniofacial Pain
Diplomate da American Board of Dental Sleep Medicine
Diplomate da American Academy of Craniofacial Management
Professor convidado da Universidade Católica de Salta, Argentina
Autor de múltiplos artigos na especialidade e conferencista internacional

Dr. Gordon Klockow (USA)

Professor assitente da Universidade católica de Salta e de microbiologia do St. Joseph College
Board Certified en Dor crônica e Medicina Forense
Forense do condado de Jasper e encarregado do Jasper County Hospital
Ortodontista- Universidade de Detroit
Diplomate da American Board of Craniofacial Pain
Diplomate da American Board of Dental Sleep Medicine

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Bactéria Clamídia vista em microscopia óptica

Bactéria Clamídia vista em microscopia óptica

As mulheres são as maiores vítimas das chamadas dores crônicas. A dor de cabeça atinge mais de 80% das mulheres em idade fértil contra 65% dos homens segundo a OMS- Organização Mundial da Saúde. As disfunções da ATM também atingem mais mulheres que homens, será uma coincidência?

A ciência acredita que não.

Muitas pesquisas apontam a intricada biologia hormonal das mulheres como um possível fator que pese nessa diferenciação, entretanto pesquisas publicadas na Biblioteca Nacional de Medicina e Saúde dos EUA apontam para outros possíveis agentes: as bacterias.

Em um estudo publicado no Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, pesquisadores da Boston University, Goldman School of Dental Medicine identificaram a bacteria Chlamydia Trachomatis no ligamento posterior do disco articular de pacientes com desarranjo interno da ATM. O alto índice de de material bacteriano encontrado ocorreram em pacientes mulheres que são por sí só as maiores vítimas das patologias da ATM.

Os autores foram ainda mais longe e concluem o trabalho com o seguinte comentário:

” A presença deste organismo pode servir como um mecanismo patogênico das disfunções da ATM, como já demonstrado em outras articulações. Infecções assintomáticas por Chlamydia em mulheres poderia também explicar a prevalência dos sintomas de disfunção da ATM em mulheres.”

Algo a se pensar, não é?

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Células Hella infectadas por chlamydia Trachomatis

Células HeLa infectadas por chlamydia Trachomatis em vermelho

A clamídia trachomatis ( Chlamydia trachomatis ) é uma bactéria extremamente nociva ao ser humano, freqüentemente adquirida por relações sexuais sendo uma das grandes causadoras de doenças sexualmente trasmissíveis (DST) como o linfogranuloma venéreo e uretrites. A chlamydia também é uma das principais causadoras de alterações no aparelho reprodutor das mulheres, sendo uma das grandes responsáveis pela infertilidade em mulheres jovens.  Para se ter uma idéia do impacto desta bactéria na sociedade, basta dizer que a OMS – Organização Mundial da Saúde estima que haja 90 milhões de novas infecções por ano no mundo, das quais 4 milhões ocorrem nos EUA, representando mais de US$ 2,4 bilhões de prejuízo para o sistema público de saúde americano, mas… O que tem essa bactéria a ver com as patologias da ATM?

A Clamydia é também conhecida por provocar danos em articulações do corpo!  Lesões da ATM tem sido associada à Artrite Reativa (uma doença reumática provocada por esta bactéria) desde 1989, sendo que dez anos depois, em 1999, foi confirmada a presença da clamídia dentro da ATM. De lá para cá muitos trabalhos científicos têm demonstrado que essa bactéria é capaz de lesionar os tecidos intra-articulares e desencadear uma patologia da ATM!

Eu tenho visto muitos casos de pacientes com lesões importantes das ATM´s  provocadas por estas bactérias, sofrendo há muito tempo com um quadro de dor que não melhora, simplesmente porque lhe foi receitado o uso de “plaquinhas” sem que fosse feita uma investigação detalhada do problema.

Investigar é a palavra de ordem quando se trata de uma patologia da ATM. Uma infecção por chlamydia é extremamente comum, até mesmo porque a maioria das pessoas que foram expostas à esta bactéria são portadoras assintomáticas e podem passar anos sem perceberem que têm um problema.

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É possível tratar seriamente uma patologia da ATM sem ressonância magnética (RM)?

A RM é o único exame de imagem capaz de possibilitar uma visualização direta do disco articular e dos ligamentos da ATM. Nenhum outro exame, mesmo a tomografia computadorizada, serve como substituto pois não permitem visualizar com precisão os tecidos moles.

O hidrogênio, um dos elementos mais abundantes no corpo humano, é o principal responsável pela formação da imagem de RM, tornando possível a formação de imagens de diversos órgãos e tecidos que não são bem visualizados em outros exames de imagem.

Desta forma, se não solicitarmos uma RM da ATM, não poderemos saber, por exemplo, a posição do disco, o grau de desidratação ou a integridade estrutural do mesmo, se há uma distensão ou ruptura de algum ligamento, se há necrose medular no côndilo, dentre outras tantas lesões que podem ser visualizadas.

Então pergunto: como iniciar um tratamento apropriado sem saber o que está acontecendo na ATM?

Na imagem acima podemos ver uma RM de uma paciente onde os côndilos da ATM estão bastante lesionados e apresentando duas pequenas “pontas” (setas verdes) fruto de um processo degenerativo causado por uma bactéria. Essa paciente não conseguia abrir a boca e havia piorado da dor após um tratamento que foi realizado com base em manobras de manipulação da mandíbula.

Ora, ao movimentar a mandíbula manualmente, as “pontas” eram forçadas contra o disco (em amarelo) que se encontra completamente deslocado para anterior, então a cada tentativa de abertura da boca com manobra de abertura passiva, ativa ou com ajuda de instrumentos, o quadro piorava a longo prazo.

Como poderíamos saber disso sem uma RM?

Com um exame de raios-x ou uma tomografia até consegue ver as “pontas” (osteófitos, na nomenclatura científica) mas não consegue ver que a ruptura do ligamento e a lesão do disco (seta amarela) provocadas pelo atrito destes osteófitos ao tentar abrir a boca.

Por motivos similares a estes é que sempre reforço que para um tratamento da ATM ser bem elaborado, tem de estar bem suportado por uma investigação detalhada ainda na fase de diagnóstico, o que inclui RM como item fundamental e, com freqüência, mais alguns exames de imagem para complementar como a tomografia computadorizada.

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Muitas vezes um tratamento de disfunção da ATM não evolui bem e o motivo pode ser por uma infecção não diagnosticada.

Infecção bacteriana na ATM é algo já conhecido da ciência. Em 1999 o prof. Learreta, J.A. publicou um trabalho, que demonstrava a regeneração completa da ATM, vista em ressonâncias magnéticas antes e depois de tratar uma infecção por estreptococo beta hemolítico, uma bactéria relativamente comum nas infecções de garganta e que já era uma conhecida causadora de doenças articulares. Ainda no mesmo ano, Henry e colaboradores detectaram pela primeira vez a clamídia trachomatis (que é uma bactéria bem nociva para o ser humano) no tecido das ATM’s de pessoas com disfunção.

De lá para cá, inúmeros trabalhos destes e de outros autores demonstraram a presença de vários tipos de bactérias associadas a problemas nas ATM’s e o mais intrigante é que essas infecções passam despercebidas por anos, pois se tornam sub-clinicas, ou seja, produz poucos ou nenhum sintoma comuns às infecções como pus, vermelhidão e dor local.

Desta forma, uma bactéria que se fixe dentro da ATM, poderá permanecer por um longo período, anos até, provocando lesão e induzindo um processo degenerativo auto-imune. Isto é, as defesas do sistema imunológico do corpo acabam lesionando também estruturas que não deveriam ser “atacadas”.

Referências:

  1. Learreta JA. Regeneration ad integrum of the condyle head in a patient with temporomandibular disorders. Cranio 1999 Jul: 17(3):221-7.
  2. Henry CH et al. Identification of Chlamydia trachomatis in the human temporomandibular joint. J Oral Maxillofac Surg 1999 Jun: 57(6): 683-8; discussion 689.
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