Se você é do tipo que toma remédio para a dores orofaciais, dor de cabeça ou dores crônicas em geral, fique esperto, você pode estar se expondo a grandes riscos de saúde!

Algo extremamente comum na área de ATM e Dor Orofacial é o uso de de medicamentos, sendo que muitos profissionais os utilizam  como um dos principais recursos no controle da dor relacionada ao aparelho mastigatório. Entretanto,  seu uso não é desprovido de riscos! Além de simplesmente não funcionarem em um grande número de casos, vários desses medicamentos são extremamente tóxicos e responsáveis por uma grande quantidade de problemas de saúde na população, que vão desde leves irritações gastrointestinais à complicações renais, hepáticas (do fígado), doenças ligadas à hipertensão como acidente vascular cerebral e problemas cardíacos!

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Austrolopithecus africanus

Austrolopithecus africanus

Há 4 milhões de anos atrás, a expectativa de vida do Australopithecus (um dos primeiros primatas a andar sobre duas pernas) era de apenas 15 anos. Na Europa medieval a expectativa era de aproximadamente  25 anos, no século XIX era de 40 anos, no início do século XX, era de 55 anos  e,  atualmente em muitos países a expectativa de vida já é maior que 75 anos de idade.

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É possível tratar seriamente uma patologia da ATM sem ressonância magnética (RM)?

A RM é o único exame de imagem capaz de possibilitar uma visualização direta do disco articular e dos ligamentos da ATM. Nenhum outro exame, mesmo a tomografia computadorizada, serve como substituto pois não permitem visualizar com precisão os tecidos moles.

O hidrogênio, um dos elementos mais abundantes no corpo humano, é o principal responsável pela formação da imagem de RM, tornando possível a formação de imagens de diversos órgãos e tecidos que não são bem visualizados em outros exames de imagem.

Desta forma, se não solicitarmos uma RM da ATM, não poderemos saber, por exemplo, a posição do disco, o grau de desidratação ou a integridade estrutural do mesmo, se há uma distensão ou ruptura de algum ligamento, se há necrose medular no côndilo, dentre outras tantas lesões que podem ser visualizadas.

Então pergunto: como iniciar um tratamento apropriado sem saber o que está acontecendo na ATM?

Na imagem acima podemos ver uma RM de uma paciente onde os côndilos da ATM estão bastante lesionados e apresentando duas pequenas “pontas” (setas verdes) fruto de um processo degenerativo causado por uma bactéria. Essa paciente não conseguia abrir a boca e havia piorado da dor após um tratamento que foi realizado com base em manobras de manipulação da mandíbula.

Ora, ao movimentar a mandíbula manualmente, as “pontas” eram forçadas contra o disco (em amarelo) que se encontra completamente deslocado para anterior, então a cada tentativa de abertura da boca com manobra de abertura passiva, ativa ou com ajuda de instrumentos, o quadro piorava a longo prazo.

Como poderíamos saber disso sem uma RM?

Com um exame de raios-x ou uma tomografia até consegue ver as “pontas” (osteófitos, na nomenclatura científica) mas não consegue ver que a ruptura do ligamento e a lesão do disco (seta amarela) provocadas pelo atrito destes osteófitos ao tentar abrir a boca.

Por motivos similares a estes é que sempre reforço que para um tratamento da ATM ser bem elaborado, tem de estar bem suportado por uma investigação detalhada ainda na fase de diagnóstico, o que inclui RM como item fundamental e, com freqüência, mais alguns exames de imagem para complementar como a tomografia computadorizada.

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Muitas vezes um tratamento de disfunção da ATM não evolui bem e o motivo pode ser por uma infecção não diagnosticada.

Infecção bacteriana na ATM é algo já conhecido da ciência. Em 1999 o prof. Learreta, J.A. publicou um trabalho, que demonstrava a regeneração completa da ATM, vista em ressonâncias magnéticas antes e depois de tratar uma infecção por estreptococo beta hemolítico, uma bactéria relativamente comum nas infecções de garganta e que já era uma conhecida causadora de doenças articulares. Ainda no mesmo ano, Henry e colaboradores detectaram pela primeira vez a clamídia trachomatis (que é uma bactéria bem nociva para o ser humano) no tecido das ATM’s de pessoas com disfunção.

De lá para cá, inúmeros trabalhos destes e de outros autores demonstraram a presença de vários tipos de bactérias associadas a problemas nas ATM’s e o mais intrigante é que essas infecções passam despercebidas por anos, pois se tornam sub-clinicas, ou seja, produz poucos ou nenhum sintoma comuns às infecções como pus, vermelhidão e dor local.

Desta forma, uma bactéria que se fixe dentro da ATM, poderá permanecer por um longo período, anos até, provocando lesão e induzindo um processo degenerativo auto-imune. Isto é, as defesas do sistema imunológico do corpo acabam lesionando também estruturas que não deveriam ser “atacadas”.

Referências:

  1. Learreta JA. Regeneration ad integrum of the condyle head in a patient with temporomandibular disorders. Cranio 1999 Jul: 17(3):221-7.
  2. Henry CH et al. Identification of Chlamydia trachomatis in the human temporomandibular joint. J Oral Maxillofac Surg 1999 Jun: 57(6): 683-8; discussion 689.
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