Essa dicotomia sempre me faz pensar que seja oriunda de uma confusão de diagnóstico.
De onde se origina uma “DTM muscular” ? Será que o músculo resolve se “disfuncionar” por vontade própria só para atrapalhar a vida da Ana, do Felipe, da Taty, do João, da Maria…?
O que faz essa musculatura trabalhar de forma a produzir dor?
Em realidade, o problema está no fato de confundir, em termos de diagnóstico, a patologia que produz DTM com o sintoma DOR. A dor sim, pode ser muscular ou articular, mas DOR e DTM não são a mesma coisa.
O que vejo com frequência, são casos em que o profissional não “acha” nada a nível articular e por notar a DOR nos músculos mastigatórios, atribui o problema a uma “DTM muscular”.
A DOR pode estar nos músculos, mas a patologia que faz com que os músculos entrem em espasmo, hipofunção, hiperfunção, etc pode estar à distância, principalmente dentro da própria ATM.
Isso é bem comum principalmente ao se considerar que um número grande de profissionais não fazem da ressonância magnética da ATM um exame de rotina. Desta forma, muitas lesões articulares passam despercebidas e, por exclusão, acabam sendo consideradas como disfunções musculares. Some-se a isso o fato de muitos radiologistas não terem treinamento específico para patologias têmporo-mandibulares e emitirem laudos que descrevem a ATM como “normal”, quando na verdade possuem alguma patologia, como expliquei em outro artigo (“Quando a RM não acusa nada“)
Isso não quer dizer que não haja problemas musculares, afinal como se sabe, existem doenças metabólicas, nutricionais e outras condições sitêmicas, além de lesões musculares diretas que produzem, ou podem produzir, patologias musculares em qualquer parte do corpo e, claro, podem também afetar a musculatura mastigatória.
É preciso lembrar que o diagnóstico de uma patologia da ATM não pode ser dado apenas pela existência da DOR. Este é apenas um dos possíveis sintomas.
Fique esperto!















Congratulaçoes pelo excelente blog e materia.
Concordo plenamente com voçe.
ALEXANDRE EDUARDO DE OLIVEIRA GOMES
OFICIAL DENTISTA DA PMMG
DOR OROFACIAL E DTM , MEMBRO DA LIGA DE DOR E CLINICA DE DOR DA UFTM
Olá TEN. Alexandre
Muito obrigado pelas congratulações. A idéia do Blog é justamente trazer para o foco estes assuntos, muitas vezes confusos, que são importantes de serem debatidos.
Grande abraço,
Olá, Marcelo! Buscando o nome de um colega encontrei seu blog com o título “clínico de dor”. Gostaria de poder discutir com você, se possível, a respeito do uso deste título no Brasil. Por gentileza, peço que entre em contato.
Grato
João Alberto Ribeiro
Membro SBED
Olá João!
Lhe passei um e-mail.
Abraços,
Marcelo Matos
Olá Dr.Marcelo!!Sou fisioterapeuta gostaria de entrar em contato,pois peço sua ajuda,para hipormobilidade mandibular ,após cirurgia cerebelar,não estou obtendo resultados satisfátorios.Por favor,faço ultra som,relaxamento muscular na atm,ocular,cervical,alongamentos,fortalecimentos,abrir e fechar a boca,com a lingua no seu da boca,…manobras de relaxamento …exercícios e bolsa termica pra casa.O que mais, pra eu ajudar este pasciente?Me oriente por favor,foram feitas 5 sessoes.
Atenciosamente,
Maria Cristina
Olá Maria Cristina! Bem vinda ao Blog!
Esse caso parece bem complicado realmente, você poderia me passar mais informações?
Qual foi o objetivo dessa cirurgia cerebelar? Tem algum exame de imagem da ATM? Qual o histórico médico-odontológico do paciente?
Em qual cidade você se encontra?
Manda por e-mail essas informações que terei o maior prazer em ajudar no que eu puder.
Abraço,
Marcelo Matos
[...] o normal por sadio simplesmente pelos achados na ATM serem comuns (há algum tempo, escrevi um artigo aqui no blog especialmente sobre as DTM´s ditas [...]
Olá Dr. Marcelo,
Estou com um possível problema de ATM, fazem 5 meses que estou usando placa, já fiz varias sessões de RPG, e de fisioterapia, com aplicação de calor e ultrasom, faço exercicios para relaxamento, e até na psicologa estou indo, mas fazem mais de 1 ano que convivo com esta dor para mastigar, bocejar e até mesmo beijar, isso começou após eu tirar meu aperelho para correção dos dentes, usei-o por 1 ano e meio. Já fiz raio-X, e minha dentinta disse que tenho algumas disfunções normais para quem tem ATM. A minha qualidade de vida reduziu muito por isso, e não sei mais o que fazer para solucionar este problema, até minha dentista falou que com tudo que fiz, essas dores já tinham que ter desaparecido. Acha necessário fazer algum outro tipo de exame como a ressonância?
Olá Silvana!
Você escreveu:
Talvez seja esse o problema: tentar apagar o alarme a qualquer custo
A DOR é a consequência de alguma coisa e é essa “alguma coisa” que precisa ser tratada, mas para isso, vai ser preciso descobrir qual é o problema realmente. Por isso vc deve já ter visto aqui pelo blog eu insistir tanto na questão do diagnóstico…
Quanto à ressonância que você perguntou, o que posso dizer é que vale a pena fazer DESDE QUE SUA DENTISTA SAIBA O QUE FAZER COM ESTE EXAME. Senão irá criar apenas um custo a mais para você ou para seu plano de saúde. Outra opção é buscar um profissional que possa aprofundar mais o seu diagnóstico.
Tratar a DOR sem tratar a causa é algo mais indicado em certos quadros de dor crônica onde a “causa” não consegue ser descoberta ou mesmo que seja conhecida não é facilmente “tratável” como ocorre em casos de pacientes terminais de câncer e em doenças ainda pouco compreendidas pela medicina como a fibromialgia. Esses aspectos que mencionei não se aplicam a maioria dos casos de patologia da ATM.
Marcelo, tudo certo? bom, gostaria de saber sua opinião: vc acredita que a cirurgia ortognática pode ser alternativa de tratamento para a DTM, cujo paciente apresente discrepância dento-esquelética (claro, só operando o mesmo fora da fase aguda dos sintomas)? Sabemos que a própria CO pode ser agravante à atropatia da ATM (caso, por exemplo da reabsorção condilar progressiva), mas me pergunto se, ao corrigir tal discrepância (e, por tabela, devolvendo ao sistema estomatognático suas posições mais harmônicas e fisiológicas), não estaria minimizando os sintomas da prórpia DTM. O que vc acha? abraço, Jeová.
Jeová, você escreveu:
Bom, fora da fase aguda dos sintomas não significa que a doença tenha sido controlada (regredido ou estagnado). Além disso, se a discrepância dento-esquelética tiver origem na própria artropatia temporomandibular, não vejo como a C.O. (que está atuando na consequência e não na causa) poderá contribuir para a solução da patologia da ATM. Mas como mencionei em outra postagem, uma vez tratada a artropatia e corrigido a biomecânica, se ainda persistir uma discrepância esquelética, a C.O. poderia ser uma opção. Lembrando que aí já estamos falando de usar a C.O. depois da alta da patologia da ATM…
Isso é uma inferência, que pode ser verdade ou não. Ao corrigir a discrepância, o “mais harmônico” é determinado por questões estéticas ou de proporção facial, que não significa necessariamente que esteja mais fisiológico. Para saber se ficou mais fisiológico precisaremos mensurar e avaliar função, de modo que se depois da C.O. encontramos, em nível individual, musculos trabalhando em sincronia e com melhor atividade à EMG, ciclos mastigatórios corrigidos, ruídos articulares diminuídos, vias aéreas com bom fluxo, etc, aí sim poderemos falar em termos de “mais fisiológico”. De ourta forma, é apenas uma inferência, como acontecia com a gnatologia e a oclusão, que estabelecia uma oclusão dita “ideal” e esperava que a função e a ATM estivessem protegida e melhoradas…
Abraço,
Marcelo
A dúvida do colega que escreveu acima é também minha dúvida será que eu não tenho que tratar primeiro o problema de ATM para depois tratar as discrepancias dento esqueléticas?
Abraço
Olá Dr. Marcelo!!!Sou fisioterapeuta e estou iniciando meu trabalho direcionado p/ DTMs,portanto como todo iniciante tenho sempre dúvidas…fiquei muito satisfeita em achar esse blog,sem dúvidas está de parabéns!!!Já tratei alguns casos que foram tranquilos,porém agora recebi uma paciente com um caso mais complicado,por isso vieram as dúvidas e se eu puder contar com sua ajuda vai ser ótimo..
A pcte apresenta dor intensa na região da ATM direita,um simples toque já causa essa dor,ela relatou que vinha percebido estalidos na ATM até o momento que não ouviu mais e sua boca travou..ela tem uma abertura muita limitada e com muita dor e desvio significativo para o lado oposto..estou desconfiada de um possível quadro inflamatório agudo..o que vc acha???tem como me ajudar..trocar idéias,ela está em uso de placa..
Olá Kamila,
Obrigado pelos elogios ao blog!
Bom, pelo que você descreveu, certamente há alterações intraarticulares. De uma maneira geral, quando uma ATM que vem estalando de repende deixa de estalar é indicativo de que ou o disco voltou ao lugar (muito improvável) ou que tenha havido uma progressão nos danos à estrutura do disco e este deixou de retomar a sua posição (o travamento da boca reforça essa hipótese). Esse dano, por exemplo uma ruptura de um ligamento, pode estar provocando sim um quadro agudo e é para estimar e avaliar a extensão do problema que considero extremamente importante fazer uma boa avaliação por imagem.
Já que você se interessa pelo tema, convido você a participar do workshop que ocorrerá em Maceió, AL nos dias 11 e 12 de setembro de 2009, com o tema: Avanços científicos e tecnológicos no diagnóstico e tratamento da ATM.
Atenciosamente,
Marcelo Matos
Pois é,conversei com a dentista que está acompanhando o caso comigo e resolvemos solicitar a ressonancia..outra hipótese que acredito é que como vc msm disse o quadro deve ter progredido e ela pode estar com um deslocamento de disco sem redução.Na fisioterapia temos algumas tecnicas de recaptura de disco,mas se o disco já estiver danificado fica complicado recapturá-lo.Gostaria de saber na verdade, o que vc como dentista usa nesses casos,qual a tecnica para resolver o deslocamento de disco sem redução(recapturar).E quanto ao workshop..tenho sim muita vontade de participar,mas agora não será possível,quem sabe uma outra data mais a frente,mesmo assim muito obrigada.
Boa noite Dr. Marcelo, tenho um problema de estalos e travamento da mandíbula e por isso procurei uma dentista aqui, em Vitória/ES, mas acho que ela não esta sabendo lidar com o meu caso… usei uma placa protrusiva que aliviou muito o estalo sempre que a utilizava, mas que com 2 semanas de uso acabou causando uma movimentação dos meus 6 dentes frontais(canino a canino) inferiores, segundo ela devido a contenção que uso em tais dentes, colocada aopós o uso de aparelho fixo. Após esta tentativa, ela me indicou uma placa plana para dormir, mas não está funcionando pois começou a estalar o lado esquerdo da mandíbula também… Os estalos são mais fortes quando acordo, acredito que por eu apertar muito os dentes ao dormir e por que ao dormir de barriga para cima a mandíbula relaxar e ir para trás… Não sei o que fazer pois segundo a dentista existe a possibilidade de travar o maxilar para sempre! Estou super preocupada, nem consigo dormir direito, não conheço outro profissional para consultar aqui em vitoria e não tenho condições de ir até ao senhor, será que o senhor poderia me ajudar com alguma sugestão de tratamento, por favor!!!!
Olá Marina, acho que te resndi em outro tópico: http://blog.marcelomatos.com/o-que-entendemos-por-diagnostico-em-patologia-da-atm/#comment-1068
A melhor sugestão que poderia dar é que procure um profissional com experiência em patologia da ATM e que possa aprofundar a investigação do caso, pois o estalo é apenas um indício de que algo vai mal na articulação, entretanto o processo pelo qual podemos descobrir o que exatamente “vai mal” é que bem complexo e envolve um extenso trabalho de investigação. Só depois de saber a real extensão dos danos, o quanto esses danos afetam o funcionamento e qual a possibilidade de reversão do problema é que podemos falar em “tratamento”. Antes disso, qualquer intervenção ficará à base de tentativas-e-erros e pode trazer sequelas desagradáveis como as que você mesma descreveu.
Infelizmente não conheço ninguem com formação e preparo para isso em seu estado.
Atenciosamente,
Marcelo Matos
olá, há alguns meses atrás que tenho dores musculares e articulares nos joelhose coxas, já tomei anti-inflamatórios(exxiv e nimed)ja fiz fisioterapia, rx lombar e joelhos onde não se vê nada, fiz tambem análises para despiste de reumatismo, febre tifoide, bioquimica, tiroide, cea`s, tando tudo normal, consultei um neurologista, ortopedista, tambem tudo normal, sei é que ando de muletas, tenho dificuldade em andar devido ás dores, não sei mais a quem recorrer, tou de baixa, ajude-me por favor, obrigado
Regina, seu caso merece uma reavaliação de um bom reumatologista. Em seu relato, percebe-se que há algum problema sistêmico envolvendo várias articulações e em casos assim, muitas vezes, os exames inicialmente não acusam nada, levando um médico menos experiente a pensar que o paciente não tem nada… Assim, é importante você procurar um novo reumatologista e verificar com ele todas as possibilidades.
Melhoras,
Marcelo Matos
Ola Dr Marcelo,antes de tudo parabéns pelo trabalho!
Fiz um longo tratamento ortodontico ( 6 anos ) durante este tratamento desenvolvi dor na ATM Direita, fiz exames radiológicos onde foi detectado um perda óssea importante do condilo D, precisei estabilizar o tratamento, usei medicação, compressas, exercícios entre outras técnicas. O quadro melhorou e o aparelho foi retirado em dez/09. Agora estou com dor novamente, associada a plenitude auditiva, dor na mandibula e na cabeça.
Novamente fui medicada e não sei mais o que fazer, gostaria da indicação de um especialista em Campinas SP pois acredito não estar recebendo acompanhamento adequado, obrigada desde já Regiane
Olá Regiane
Fico feliz que tenha gostado do blog e postado por aqui!
Bem, não tenho como te ajudar com uma indicação pois não conheço ninguém em Campinas-SP que trabalhe com patologia da ATM. O que eu posso fazer é te ajudar a entender um pouco sobre patologia da ATM para que você mesmo, estudando o assunto, possa ser capaz de selecionar um bom profissional para tratar seu caso. Sobre esse tema (escolha de um profissional) eu fiz uma postagem recente, que talvez valha a pena você ler: Patologia e disfunção da ATM: o que esperar dos profissionais da área?
Você escreveu que foi detectado uma perda óssea e que foi tratada com medicação, compressas e outras técnicas, correto? Bom, vou te ajudar a pensar em algumas questões, basta você seguir o raciocínio que conduzirei através de perguntas:
Após a melhora, foram feitos novos estudos radiológicos para saber se a perda óssea, parou de avançar ou se foi revertida?
Se foi feito, o que acusou? que a perda ósse estava do mesmo jeito, pior ou melhor? Veja que isso é um ponto importante para saber o quanto o tratamento foi realmente efetivo na correção ou estabilização do problema.
Aqui pelo blog, você perceberá que dou muita ênfase ao processo de diagnóstico e por isso pergunto: de onde veio essa perda óssea no côndilo? E se não houver sido definido esse diagnóstico, como esperar que o tratamento corrija o problema, ou seja, como esperar que a medicação, compressa ou exercícios, promovam uma recuperação do côndilo ou mesmo restabeleça o funcionamento do mesmo?
Por exemplo, se essa perda estiver associada a um problema sistêmico, como uma doença reumática, não seria um tanto ingênuo esperar que o problema fosse resolvido com exercícios e compressas, quando a própria medicina tem dificuldade de controlar as lesões articulares provocadas por essa doença? Entende o porquê do DIAGNÓSTICO? Até mesmo para saber as limitações do caso é preciso compreender a extensão do diagnóstico!
Além disso, é preciso ter cuidado com tratamentos que tenham uma característica mais paliativa que corretiva, pois a tendência é que o objetivo seja apenas o alívio da dor. Entretanto a dor pode ser aliviada enquanto o problema continua a avançar, de modo que em algum outro momento a dor volta. A dor em sí costuma ser consequência de alguma coisa, logo esse “alguma coisa” é que precisa ser o objeto do tratamento. Leia as postagens sobre uso de medicamentos que há aqui no blog.
Dentro em breve postarei tópicos sobre plenitude auditiva e outros sintomas que você mencionou. Também irei fazer uma postagem com base no seu comentário aqui e a minha resposta, ok?!
Boa sorte em sua busca por um dentista da área.
Atenciosamente,
Marcelo Matos
[...] recebo e-mails ou comentários aqui no blog, mencionando um tipo de situação que é a [...]
[...] acompanhar o raciocínio que seguirei nesta postagem, sugiro que leiam dois textos: 1) ”DTM muscular vs articular“ para entender a confusão de diagnóstico que existe no campo das disfunções de [...]
ola dr marcelo, meu marido anda sofredo muito com dores na articulaçao uma dentista especialista na area indicou o uso de uma placa miorelaxante pois alem da dor ele tem bruxismo, entao eu lhe pergunto.. apenas o uso dessa placa pode melhorar os sintomas de dores fortes que ele ja sente ha mais de um ano? sinceramente dr ele nao aguenta mais..