Cirurgia Ortognática e disfunção da ATM

Cirurgia da ATM e Cirurgia Ortognática - Devo fazer? Quanto custa, para o meu caso?

Cirurgia da ATM e Cirurgia Ortognática - Devo fazer? Quanto custa, para o meu caso?

Na última postagem mostrei quais eram as duas patologias da ATM em que há, de fato, uma indicação preferencialmente cirúrgica. Então, dando seguimento à série “Cirurgia e disfunção da ATM“, abordarei desta vez uma das cirurgias que está se tornando cada vez mais conhecida do público: a cirurgia ortognática.

E o que é a cirurgia ortognática?

A cirurgia ortognática é um tipo de cirurgia FACIAL, não da ATM, cujo objetivo é corrigir desarmonias faciais provocadas por discrepância entre a mandíbula e a maxila (o osso que sustenta os dentes de cima), muitas vezes realizadas junto com tratamento ortodôntico, para ajudar a corrigir esteticamente a dentição e o perfil da face.

Por exemplo:  quando uma pessoa possui uma mandíbula muito grande (prognatismo) de modo que os dentes de baixo passam por fora dos de cima ao fechar a boca e não é possível corrigir somente com o uso de aparelhos ortodônticos, uma cirurgia ortognática é feita para recuar a mandíbula ou avançar a maxila e corrigir a “discrepância”.

De todas as cirurgias citadas na postagem anterior , essa é a que não tem a menor indicação para tratar alguma coisa na ATM. Mas por quê? Porque simplesmente não atua nem na causa do problema, nem na conseqüência. Por conta disso, antes de saber o preço da cirurgia ortognática ou quanto custa, procure saber se ela é a ferramenta ideal para tratar o seu caso específico.

Em 2007, Abrahamsson e colaboradores publicaram uma revisão sistemática de 467 artigos científicos, onde apenas 3 destes artigos atendiam todos os critérios científicos e chegaram a conclusão que não há evidência científica suficiente de que uma cirurgia ortognática mude o curso de uma patologia da ATM.

Na prática do dia a dia, eu tenho visto situações em que este tipo de cirurgia foi indicado para casos em que o paciente apresentava, por exemplo, uma osteoatrite (um processo degenerativo inicial da articulação, que brevemente abordarei em outra postagem) nos côndilos da ATM. Ora, segundo os estudos mais recentes (Henry, Paegle entre outros), a osteoatrite e  outros processos degenerativos da ATM estão relacionados às doenças auto-imunes e  infecções bacterianas. Então pergunto: como a cirurgia ortognática melhoraria esta situação?

Não melhoraria. Estas situações exigem uma abordagem específica, com descompressão da ATM, correção do funcionamento articular e tratamento da infecção ou da doença auto-imune associada, como já se sabe a mais de 10 anos…

Por fim, quero deixar claro que a cirurgia ortognática é uma excelente ferramenta, mas apenas quando é feita para as situações em que realmente estão indicadas, que são aquelas relacionadas á correção de discrepâncias faciais principalmente quando combinada com a ortodontia nos casos chamados de “orto-cirúrgico”  e, claro, desde que o paciente NÃO APRESENTE uma patologia da ATM.



Comentários postados (335)

Boa noite Dr. Marcello,
Eu gostaria de saber o preço aproximado de uma cirurgia para expansão de maxila quando o paciente apresenta um bom plano de saúde, por exemplo UNIMED.

Iziane

É melhor perguntar a um Cir. Bucomaxilofacial ou aguardar que algum colega veja sua pergunta aqui.

Att.,
Marcelo Matos

Também quero fazer. Moro em Curitiba e meu médico informou que se o convênio cobrir hospital e material o custo do médico sai em torno de 12 mil. Para fazer tudo particular em torno de 20mil

Olá Marcelo,estava pesquisando sobre o meu caso, e encontrei esse site
e acho q vc poderá me ajudar muito!
Eu começei a usar aparelho com 15 anos,
pois meus dentes eram praticamente um em cima do outro,
mais quando fui ao dentista, ele falou q eu tinha q fazer uma cirurgia
então ele puxou a parte inferior + pra frente, ficou muito visivel.
Eu desisti de fazer essa Cirurgia.Hj to com 20 anos, tem quase 2 anos q desisti da cirurgia, mais ainda estou com o aparelho, sem manutenção.
No final do ano fui em uma dentista e contei meu caso pra ela, ela me falou q como eu parei de crescer n tem como puxar a arcada superior para frente
e como eu não quero fazer essa cirurgia ela me deu a opção de arrancar 2 dentes da parte inferior e puxar os dentes para traz, mais que o meu rosto ia continuar a msm coisa!! Mais acontece q ela desfez sociedade para mudar de cidade, ai eu fui em outro dentista, pra fazer o msm pra mim, ele falou q nem ia mexer, q era para deixar do jeito que tá! Poxa estou muito asustada,agora vou em outro dentista para ver se ele pode fazer isso pra mim, tirar 2 dentes da parte inferior e puxar para traz!!
Gostaria muito de saber sua opnião sobre isso!! Pois não quero fazer essa cirurgia, eu tenho uma amiga que fez, e a recuperação foi muito longa e dolorosa!! E estou até asustada de ir de novo no dentista e ele dizer q não vai fazer isso por mim!! Estou mal com isso!! Obrigada

Fiz essa cirurgia há uns 4 anos, tinha 17 na época. Meu medico muito bom fez uma bateria de exames para saber se eu podia, se eu ia crescer e deu tudo certo!! Fiz, e ficou ótimo! Mas agora estou me sentindo estranha.. Isso vai voltando aos poucos? To sentindo como se eu tivesse com queixo de novo.. Perguntei a muitas pessoas e ela disseram que nao viram nada de diferente no meu queixo.. Eu mudei muito, minha alto- estima melhorou bastante, minha vida amorosa deu salto enorme, tive muito namorados. E agora to com muita insegurança de voltar de novo..

Dr. Marcelo

Quando tinha 10 anos retiraram meu incisivo lateral esquerdo, sem necessidade,apos alguns anos fiz tratamento ortodontico para posicionar o canino no lugar do incisivo retirado e consequentemente estou com a dentição toda comprometida.
Tenho 40 anos e apareceram frequentes torcicolos e desgaste dos dentes frontais.Fui a um dentista que percebeu que estou com ATM( uso placa há 10 meses), seria retração na gengiva, problema na articulação da boca, desalinhamento dos dentes entre outros problemas .

Como saber se meu caso é cirurgico ou tratavel apenas com ortodontia?
A cirurgia resolveria definitivamente algum desses problemas ou corre o risco de reincidir?

Grata,

Olá Dr. Marcelo,

sou classe II, tenho reabsorção condilar, mas não é devida a nenhum caso de doença auto-imune ou infecção bacteriana, pois a informação que obtive é que poderia ser por distúbios hormonais. Bem, gostaria de saber se neste caso a cirurgia é contra-indicada, pois sei por meio de panorâmicas que a reabsorção parece nao ter evoluído.

Digo: mas não é devido

Gislane, eu particularmente não indico ortognática se houver algum tipo de patologia da ATM…

At.te,
Marcelo Matos

Se a pessoa tem problema na ATM, não há como tratar e depois fazer ortognática? Estou em tratamento ortodôntico para fazer a ortognática e tenho dtm, então devo desistir da cirurgia ou tratar a ATM antes de operar?

Larissa, de poder, pode. Mas não é a melhor opção.
Tenho muitos pacientes que passaram por cirurgia ortognática e hoje estão tratando a ATM. Entenda que muitos problemas de ATM implicam em alterações da relação entre a mandíbula e o crânio. Assim, o ideal é que antes da ortognática, se verifique primeiro as necessidades da ATM e depois, se ainda for necessário, planejase a ortognática.
Pense na ATM como a fundação de um prédio e a ortognática o prédio em si. O que acontece com um prédio, por melhor construído que seja e por mais bonita que seja sua arquitetura, se for construído em um terreno instável, com a fundação ruim? Lembre da torre de Pizza…

At.te,
Marcelo Matos

Olá!

Sou classe II, onde devo fazer ortognática (mandíbula, maxila e mento). e
Estava em tratamento na rede pública há 3 anos, porém, o único hospital em minha cidade que realizava esta cirurgia não faz mais. Tenho reabsorção condilar com praticamente nenhuma sintomtologia, nunca antes tinha sentido nada.Pelas informações que obtive a causa provável deu-se por distúrbios hormonais, enfim, o que gostaria de saber é se neste caso ela (a cirurgia) é contra-indicada, pois embora acompanhamento por panorâmica não seja muito confiável, parece que não houveram alterações.

Gi, eu não indicaria uma ortognática com os côndilos reabsorvidos, pois essa é uma condição que favorece a recidiva do problema.

At.te,
Marcelo Matos

Olá.
Meu queixo é bem pra fora Classe III, e preciso realizar a cirurgia o quanto antes, mais quando fiz minha documentação para colocar o aparelho descobri que tenho uma Adenóide, isso interfere na cirurgia do maxilar?
Quanto tempo de exames é necessário até a operação?
É muito complicado?

No aguardo.

Jéssica, a adenóide aumentada pode interferir na respiração e influenciar na sua recuperação. Converse com seu dentista sobre o tema e ele irá avaliar melhor se vale a pena intervir ou não na adenóide.

At.te,
Marcelo Matos

Boa tarde Dr Marcelo,

ao investigar na internet sobre ATM e cirurgias ortognáticas, descobri o seu blog, o qual me despertou um grande interesse, uma vez que me ajudou a esclarecer algumas dúvidas.
No entanto, achei que deveria pedir a sua opinião sobre este assunto que tão controverso é.
Sou portuguesa, moro em Lisboa, mas mesmo assim pareceu-me que colocar-lhe a minha situação (apesar da distância física) só pode trazer-me benefícios.
Vou tentar resumir o meu historial o mais que conseguir, mas tentando indicar o máximo de informação médica que me foi dada.

No início deste ano, foi-me diagnosticada disfunção das ATM, após muito sofrimento e muita corrida para médicos que pouco me conseguiam ajudar e tudo se foi arrastando.

Eu penso que o meu problema começou por volta de 1999/2000… num almoço, mais precisamente, quando trinquei e puxei lateralmente por um pão com côdea dura(só comigo é que acontecem coisas estranhas destas??) e senti uma dor enorme na face, náuseas e tontura. Foi imediato.Após este episódio comecei com uma dificuldade enorme em abrir a boca fosse o que fosse, com dor localizada nas ATM e no maxilar. Sentia o maxilar preso também. Andei cerca de duas semanas assim até não aguentar mais e fui à dentista. Por sua vez, a dentista não se atreveu a colocar o maxilar no sítio e finalmente com anti-inflamatório e mais alguns cuidados,ao fim de alguns dias mais, senti que o maxilar deve ter ido ao sítio certo sozinho durante a noite, pois voltei normalmente a conseguir abrir a boca e a comer sem qualquer dificuldade e dor.

Já não consigo garantir (devido ao tempo que passou…), mas tenho a ideia que durante essa altura eu tinha dores de cabeça frequentes e fortes e fazia bruxismo, diagnosticado pela mesma dentista. Na altura lembro-me que andava sobre algum stress e foi-me transmitido que o problema do bruxismo que começara a ter estava relacionado com esse episódio de stress que já se prolongava por algum tempo.
Deste modo, em 2003 a mesma dentista pediu-me uma placa de relaxamento, dura e colocada no céu da boca, que utilizava apenas à noite para evitar o bruxismo.
Senti de facto melhorias com a utilização da placa de relaxamento. Não sei se é assim que chamam aí no Brasil.
No mesmo ano comecei a sentir mais problemas na ATM do lado esquerdo.

Em 2004, a mesma dentista solicitou RM (ressonância magnética) às ATMs.
Fui observada por um especialista das ATMs e que me informou baseado na mesma RM e num raio-x que não seria necessário utilizar o aparelho ortodôntico,uma vez que o meu problema seria mínimo. A única coisa estranha nessa altura era o facto de eu apresentar tantos sintomas dores fortíssimas nas ATMs e dores de cabeça constantes) e que já na altura (e já lá vão quase 10 anos)começar a ter dificuldade em conseguir realizar e conjugar a minha profissional e pessoal.

Entretanto tive melhorias e comecei a fazer acunpunctura semanalmente, em 2005, parando por completo a utilização da tal placa de relaxamento/goteira.

Até 2008 houve alguns episódios de dor, mas nada que me impedisse de fazer a minha vida normalmente. Em 2008 tive a minha filha e a partir daí não tive hipótese de continuar a fazer acunpunctura.

Em 2010 fui observada por um otorrinolaringologista(ORL)que mais uma vez me diagnosticou problemas nas ATMs. Não avancei com tratamento algum para as ATMs, uma vez que a indicação anterior que eu tinha era de que os sintomas que eu tinha eram devidos ao stress e não à existência de qualquer patologia física nas ATMs (ressonância e raio-x em 2004).

Em 2011 comecei com dores musculares fortíssimas no pescoço, ombros e dores de cabeça tal, que foram identificadas como cefaleias de tensão. Nada ajudava às dores… a única coisa que me deu alívio e ao fim de N tentativas de anti-inflamatórios e de relaxantes musculares (diariamente…)foi a toma de Cortisona. Finalmente consegui ter alívio durante cerca de 6 meses. Ao fim desse tempo… voltaram as dores e comecei a pensar em fazer algo que resolvesse a situação, de modo a não andar a correr para a Cortisona de 6 em 6 meses.

Pelo facto de ninguém me relacionar as dores musculares com as ATMs… fui encaminhada para um Ortopedista e daí ter iniciado Fisioterapia à coluna cervical. Tinha apenas um disco a tocar nos nervos periféricos da coluna, mas segundo o que me indicaram, após a 1ª sessão de fisioterapia que correu muito mal…. (tracções mecânicas à coluna cervical repetidas e com uma máquina avariada que não parava de puxar!!)acabei por ficar com 3 hérnias!!!!!
Ora a partir daqui, fiquei com medo fosse do que fosse relacionado com fisioterapias e tratamentos médicos… Imediatamente na 1ª sessão de fisioterapia fiquei sem força na cabeça, com a cabeça toda caída para trás e só a consegui colocar novamente direita em cima do pescoço… agarrando-a com as mãos e puxando-a para a frente. Para ajudar… senti imediatamente imensas vertigens (coisas que eu nunca soubera o que era….). Na mesma semana tive episódios fortes e constantes de vertigens, não tolerando qualquer medicamento ou alimentos, tais eram os vómitos e a intensidade das vertigens. Ao fim de 2 semanas foi-me finalmente diagnosticado que os cristais do ouvido interno tinham saído do sítio com as tracções realizadas à coluna cervical.
Finalmente após alguns meses e tratamentos específicos conseguiram-se manter os cristais estabilizados. Ou seja, além de ter um problema nas ATMs que pelos vistos não era nada grave, arranjei mais um problema que ainda complica mais a vida (episódios de vertigens devido ao movimento dos cristais do ouvido interno).

Em 2012, Abril, comecei a sentir uma pressão no ouvido esquerdo que até hoje se mantém constante. Um sintoma novo, do qual nunca me tinha queixado e que ninguém relacionava com as ATMs.

Assim, o ano de 2012 foi todo a correr para os ORL’s, visto que tinha imensas vertigens e imensa pressão no ouvido esquerdo. E quanto mais pressão no ouvido, mais vertigens sinto e tenho. Ao ponto de não conseguir fazer nada… a não ser que ande agarrada. Maio e Junho de 2012 foi atestado médico (baixa médica) e não houve um dia que a pressão e a sensação de ouvido tapado passasse ou pelo menos… que melhorasse.
Ninguém entendia quando eu referia que parecia que tinha areia a andar dentro do ouvido e que ouvia barulhos dentro do ouvido esquerdo.
Realizei todos os exames médicos possíveis e imaginários aos ouvidos… sempre todos ok, sem qualquer problema. Não foi diagnosticada qualquer doença dos ouvidos e sempre sem inflamações visíveis. Mas a pressão e o ouvido tapado nunca passaram…. e o desespero começava a aumentar.

Para ajudar, em Julho de 2012 começaram as dores fortes no pescoço (lado esquerdo sempre) novamente. Fui ter com um outro médico e que mais uma vez me disse: “Vá tratar da sua mandíbula. Tem um historial clínico complicado e difícil de diagnosticar, mas a maioria dos sintomas relacionam-se com as ATM’s.” Médico este que foi já médico de um grande Clube de Futebol Português.

Assim fiz… continuei cheia de vertigens, dores e náuseas… fui até ao Instituto especializado em Implantologia muito conceituado e mais uma vez, após um raio-X panorâmico…me informaram que as vertigens que eu tinha, as dores de cabeça e de pescoço e o resto dos sintomas que não eram do maxilar, apesar de não ter uma oclusão perfeita.
Aqui foi-me aconselhado utilizar um aparelho ortodôntico para melhorar a oclusão e melhorar o aspecto estético.
Ora, a minha maior preocupação como deve calcular…. não era a parte estética, mas sim a parte funcional, que não estava bem e daí toda a minha vida estar a girar em torno de médicos e sempre sem resolver ou sequer identificar o que me provocava tão pouca qualidade de vida…

Como o desespero não parava de aumentar e a vida só piorava…pondo em risco a situação profissional, lá tive que procurar outros especialistas… em Dezembro uma outra ORL pediu-me para ir avaliar as ATMs novamente, mas desta vez com um pedido escrito.

Finalmente parece que fui parar a alguém que me entendeu…

Assim, pediram-me para realizar nova RM e com base nessa RM (realizada em Janeiro de 2013)e na antiga de 2004, foi-me apresentado um Relatório realizado em consulta de ATM e disfunção temporomandibular com a seguinte informação:

Peço desculpa Dr Marcelo… isto mais parece um testamento…. acredite que estou à procura de uma melhor qualidade de vida e nem que tenha que ir ao Brasil para recuperar um pouco da minha vida e da minha independência, assim o farei!!

Vou transcrever o que o relatório diz:

“A doente, após história clínica efectuada na 1ª consulta em conjunto com a análise dos exames….. revela alteração funcional dos meniscos articulares em ambas as articulações temperomandibulares (ATM’s) quer nos movimentos de abertura e fecho, quer nos movimentos excursivos da mandíbula lateralmente.

Avaliação da ATM esquerda:
A avaliação óssea dos componentes articulares mostra não existir, por ora, qualquer alteração da anatomia dos tecidos duros correspondentes sendo visível a continuidade da cortical do côndilo mandibular e da superfície da cavidade glenóide temporal.
Sagitalmente existe manutenção da integridade do menisco e de ambas as superfícies articulares embora se verifique um acentuado deslocamento redutível anterior e externo do menisco articular concomitante com limitação da abertura bucal.
Não existe nesta articulação inflitrado inflamatório clinicamente valorizável ao contrário do que acontecia em 2004.

Avaliação da ATM direita:
Existe com boca fechada, igualmente um deslocamento antero-externo do menisco com redução meniscal aquando da abertura da boca sendo assim uma patologia redutível da ATM. O disco mostra-se ainda deformado em ambas as posições mandibulares o que indica patologia prolongada. Não foi possível definir estado do ligamento posterior estando possivelmente, dada a posição meniscal descrita, o mesmo seccionado ou, pelo menos, irreversivelmente distendido.
O menisco articular apresenta, uma espessura ligeiramente diminuída, indicadora de traumatismo articular inicial súbito seguindo-se uma fase crónica prolongada de deslocamento redutível.
Existe inflitrado inflamatório clinicamente valorizável e confirmado na RM de 2013. Este encontra-se usualmente associado à presença de sobrecarga funcional sendo aconselhável a sua remoção antes de iniciar qualquer tratamento (artrocentese ou “lavagem interna” da ATM).

Plano do tratamento aconselhável:
A referida sobrecarga meniscal funcional indica a necessidade de descompressão articular como forma de estabelecer uma relação mais favorável entre os componentes articulares e evitar a progressão para degeneração óssea.
1-Descompressão articular e determinação da posição terapêutica através de abordagem não cirúrgica com dispositivo intra-articular de descompressão. No entanto, as lesões presentes são irreversíveis.
2-Artrocentese articular do compartimento superior das ATM’s associada a medicação anti-inflamatória e alterações de hábitos e parafunções quotidianas.
3-tratamento cirúrgico para controlo parcial da inflamação local, remoção do menisco articular (discectomia) para restabelecimento da função.”

Tenho que dizer que me senti acompanhada e bem orientada pelo médico que me realizou este relatório e que senti confiança… finalmente alguém entendia o que era a areia no ouvido e a pressão no ouvido. Ao ver com ele a RM, parece que na realização do exame trocaram os lados direito e esquerdo. Confirmou comigo que era do ouvido esquerdo que me queixo. Ao mesmo tempo também me avisou que tinha o osso demasiado perto do ouvido (côndilo?) e daí estar a sentir tanta pressão… avisou-me também que normalmente as pessoas que têm um desvio até 3mm que nunca se opera. E que acima de 5 mm só se pode operar. Mas os casos que se encontram entre os 3 e os 5 mm…. que não se sabe ao certo o que se deve fazer. E eu sou um caso desses. Aqui não percebi onde tenho o desvio… Após a realização da RM piorei imenso, chegando ao ponto de ficar constantemente com o maxilar preso por vários dias. Ora soltava sozinho , ora voltava a prender a mandibula. Fui vista pelo médico das ATM que viu a agonia em que me encontrava e disse que tínhamos que esperar que o maxilar estabilizasse. E só depois de estabilizar é que poderíamso começar com o tratamento da goteira de descompressão. Caso não conseguíssemos estabilizar o maxilar, teríamos que recorrer a algo mais “incomodativo” em termos de tratamento. Felizmente, consegui que esta “dança” do maxilar parasse!!
Percebi ainda que a causa da minha disfunção da ATM seria traumática… estarei certa?
Avisou-me também… que sempre se deve fazer tudo que não seja invasivo ou cirurgico e que eu nem deveria pensar na cirurgia que foi recomendada. Disse-me mesmo para a esquecer.
A minha grande questão neste momento é a dúvida que existe em todo o tratamento que iniciei a 21 de Fevereiro com uma goteira para fazer a descompressão da articulação. É rígida, foi feita baseada na RM de 2013 e uso-a no maxilar inferior. Durante o máximo de tempo possível…. até comer com a goteira colocada, informou-me o médico.

Infelizmente… deixei-me levar pela influência de amigos e familiares e fui pedir uma 2ª opinião de um outro médico, este por sua vez, especialista em cirurgia maxilo-facial.

Ora, após esta consulta de cirurgia… descobri o seu blog! tal foram as minhas dúvidas e os meus receios, após ter ouvido o que ele me disse,que não parei de “vasculhar” a internet.
Assim, fiquei a saber que, segundo ele e tendo observado as ressonâncias e o relatório que acabei de lhe transcrever…:
o meu problema baseia-se em que não houve um correcto crescimento do maxilar inferior com o superior. Que o maxilar inferior cresceu menos. Fez-me uma data de palpações ao maxilar, pediu-me para abrir e fechar a boca uma série de vezes… onde sentia dor… (em qualquer sítio onde ele pusesse as mãos eu tinha dor, tal era a força que aplicava!!)
Quando viu a goteira/placa de descompressão, disse-me que não estava a fazer nada bem, apenas que estava a ganhar algum espaço no sítio da articulação e por isso eu ter sentido alívio logo nos 1ºs dias de uso da goteira, mas que estava a empurrar-me o maxilar para trás empurrando o côndilo também para trás e isso iria provocar sempre a pressão no ouvido.
Referiu ainda que a cirurgia da remoção do disco/menisco/cartilagem na minha idade (38 próximo Junho)está completamente desaconselhável, pois não há provas do que acontece ao fim de 20 anos às pessoas que fazem esta cirurgia.

Informou-me também que o facto de sentir o ouvido tapado é sinal que existe inflamação. Diz que a inflamação altera tudo e faz com que o ouvido mude o seu formato e como muda anatomicamente dá a sensação de ouvido tapado.

Ora eu ando assim…. desde Abril de 2012… com o ouvido tapado e mais tapado e mais tapado!!!!….

Resumindo e concluindo, deu-me 3 hipóteses de tratamento:
1-Fazer anti-inflamatórios e relaxantes musculares para alívio dos sintomas (já cansei disto, claro! E sem efeito…)
2-Utilizar uma placa ainda mais rígida que esta que uso, mas não colocada no maxilar inferior, mas sim no topo do céu da boca. Que essa placa tem que ter guias caninas e incisivas (que eu não tenho, e por isso tenho movimentos aleatórios do maxilar quando falo ou quando como).
Utilizar essa placa no mínimo 6 meses para conseguir obter algum alívio duradouro.
3-Utilizar aparelho ortodôntico por um ano para alinhar os dentes (apenas os do maxilar inferior é que estão encavalitados, os de cima estão certinhos), fazer a operação ortognática em que supostamente me iria puxar o maxilar superior para trás… (e aí estranhei pois ele disse q eu precisava q o maxilar inferior viesse para baixo para dar espaço na articulação e para a frente de modo ao côndilo não ir tocar no ouvido e não fazer inflamações)e depois mais 6 meses com aparelho.

Como deve calcular Dr Marcelo.. saí de lá sem saber o que pensar. Pois segundo esta 2ª opinião, o tratamento que estou a fazer para as ATMs não ajuda e pode até piorar… pôs-me em dúvida com o tratamento que comecei e o qual achei que tinha lógica…pelo menos para mim fazia sentido!

Mas pergunto ao Dr Marcelo, o que acha mais indicado????…. Pelo que vejo no seu blog… se existe uma disfunção temperomandibular, nunca se deve fazer uma operação ortognática… que além de não resolver ainda vem é provocar piores resultados…

Prometo que vou falar com o meu médico inicial e colocar-lhe esta situação… eu continuo com o tratamento que me foi proposto e tenho tido algumas melhorias. Não tão boas como no início, mas também não tenho piorado muito mais. Continuo a ter vertigens e a sentir a tal pressão no ouvido. Nem são as dores que mais me apoquentam, são realmente a pressão e as vertigens…. que segundo o cirurgião não são devidas à disfunção da ATM mas sim aos cristais do ouvido interno. Enfim… não sei para que lado me virar! Qual o seguimento do tratamento deste que estou a fazer?? utilizar aparelho depois? fazer operação ortognatica depois???…

Parece-lhe o tratamento que estou a fazer correcto?? é o mais indicado?? devo sentir que progressos com este tratamento?

ou pelo contrário, devo mudar completamente de orientações e seguir o cirurgião maxilo-facial??? A mim não me parece e não estou com coragem nenhuma em avançar para isso.

Através das informações que lhe passei o que recomenda que eu faça? Ir ao Brasil?? ahahah…. espero bem que não:)) só se fosse de férias:) ou então só se tivesse garantia total da minha recuperação a 100%…. que segundo o que sei, já não terei essa hipótese.

Agradeço-lhe toda a atenção que dedicou a este enorme testamento…
Atentamente,
ACL

Ana Louro

Li com calma seu depoimento e o que posso dizer é que realmente seu caso não é simples, mas acredito que possa melhorar.
Você escreveu: “Pelo que vejo no seu blog… se existe uma disfunção temporomandibular, nunca se deve fazer uma operação ortognática… que além de não resolver ainda vem é provocar piores resultados…”

Sim, realmente existe a crença entre cirurgiões, de que colocando os “ossos no lugar” se estaria melhorando a ATM também, mas isso não é verdade, aliás, nem sequer tem suporte da literatura científica. Pelo contrário, as publicações científicas estão cheias de relatos de agravamento da condição da ATM após cirurgias ortognáticas, especialmente as de avanço da mandíbula. Idem para o aparelho ortodôntico que, por mais que alinhe os dentes, não trata os processos patológicos próprios da ATM.

A idéia de descomprimir a ATM é realmente fundamental, pois sem isso não há como os mecanismos de reparação do corpo atuarem eficazmente. No entanto, isso é apenas parte do tratamento e tal descompressão precisa ser monitorada pelas respostas neurofisiológicas de sua própria ATM. Isso implica, que a cada período o grau de descompressão precisa ser revisto e e mandíbula realinhada conforme for as necessidades, de modo que, não é qualquer goteira que descomprime apropriadamente. Tudo irá depender de como ela foi construída e como é monitorada. Quais foram os procedimentos usados para construir a sua (aquela que você usava até mesmo para mastigar)?

Além disso, é preciso um diagnóstico diferencial para verificar se além do trauma, algum outro fator está a agravar a situação interna da ATM.

Quanto à vertigem, pode haver uma correlação com os problemas cervicais, pois a artéria vertebral (que passa por dentro de pequenos espaços das vértebras e entra no cérebro para irrigá-lo) pode ter sido afetada. Nesse caso, o tratamento da ATM pode até aliviar mas não irá solucionar 100%. Para ter uma idéia melhor da relação entre esse problema cervical, a ATM e a vertigem, existem testes clínicos, derivados da manobra de Romberg, que devem ser realizados para diferenciar. Um profissional com experiência em patologia da ATM deve (ou deveria) saber como realizar tais manobras de diagnóstico.

Minha sugestão é retornar ao médico/dentista que lhe fez a placa inferior e conversar sobre o seu caso novamente.

At.te,
Marcelo Matos

Boa tarde Dr Marcelo,

e antes demais obrigada pela sua resposta. Obrigada pela sua paciência para a extra-big mensagem que lhe enviei. Vejo que o seu blog é muito bom mesmo! E acho que desmistifca muitos “problemas”.

Obrigada pelo seu esclarecimento sobre ATM e cirurgia ortognática.

Continuo a ser seguida pelo meu dentista que tem especialidade nas ATM’s e estou a ser sempre monitorizada. A palaca oclusal tem sido sempre acertada. Por enquanto ainda não fiz mais nenhum exame para se ver como está a correr a descompressão. mas irei falar sim com o meu dentista na próxima vez que estiver com ele.

Quanto ao modo como a placa foi construída… naõ sei ao certo, apenas que foi baseada a sua construção na ressonância magnética que fiz.

E espero que não haja mais nenhum factor que esteja a agravar a situação interna da ATM. Vou falar disso tb ao dentista que me segue.

E mais uma vez muito obrigada:) garanto-lhe que se um dia for ao Brasil terei muito em gosto em ir visitá-lo e dar novidades de todo o meu processo.

Atentamente,
ACL

OLÁ DOUTOR MARCELO, MUITO BACANA O SITE
MEU CASO É PARECIDO COM O DA ANA, SINTO ESSA PRESSÃO NOS OUVIDOS O TEMPO TODO, NENHUM OTORRINO DESCOBRIU E SEMPRE FALAM DE ATM.. NÃO PASSA COM ANTIFLAMATÓRIO NENHUM… UM INFERNO
MAS MINHAS ATMS NÃO ESTALA E ABRO NORMALMENTE A BOCA…
PODE SER ALGUM PROBLEMA NAS ATMS??? DOI MAIS O LADO ESQUERDO, UM INFERNO DOUTOR… FIZ TODOS OS EXXAMES NO OTORRINO E ENCONTRARAM NADA.
OBRIGADO PELA ATENÇÃO
FIQUE COM DEUS

Sim, pode acontecer de não ter estalos e ainda assim sentir esse tipo de sintoma. O próximo passo é fazer uma avaliação de suas ATM.
At.te,
Marcelo Matos

Minha mandíbula está estralando, não sei o que fazer, conheço um amigo que também tem esse problema e o dentista dele falou que ele tem que usar aparelho e depois realizar uma cirurgia, esse realmente seria a solução para esse problema CHAAAAATO que incomoda pra caramba???

Estou com dor na ATM a mais de um ano, fiz uma ressonância onde apresentou meu disco da ATM a direita com luxação, porém tenho assimetria facial, meu médico me classificou tipo III, e disse que para melhorar minha ATM eu precisaria da cirurgia ortognática, posso fazer esse tratamento ortodôntico e a cirurgia com dor e meu disco luxado?
Obrigada

Joice é preciso verificar se tua assimetria é CONSEQUÊNCIA do problema na ATM, porque se for, é justamente o inverso: tratar primeiro a ATM para depois fazer a cirurgia da assimetria se ainda for necessário.
Tenha em mente que a ATM precisa estar bem para que a correção da assimetria seja estável.

Atenciosamente,
Marcelo Matos

Bem minha assimetria facial sempre tive, minha mandíbula é grande, e não tenho as laterais de cima, usei aparelho na adolescência e já tive crise de dor na ATM que melhorou sozinha, mas agora não melhorou. Tenho medo de fazer a cirurgia corrigir a estética, mas a dor não melhorar, pois não me incomoda a estética e sim a dor.

Por isso é importante resolver primeiro os problemas da própria ATM, até porque é bem provável que sua assimetria seja uma consequência do desarranjo interno articular.

Dr. Marcelo.

Há 2 anos e meio atrás entrei em uma boate e saí com zumbido no ouvido. Fui a diversos otorrinos e nenhum constatou qualquer tipo de perda auditiva ou dano no ouvido. Após 1 ano e meio completamente estável, meu zumbido avançou para um patamar um pouco mais alto. Voltei a procurar otorrinos, tendo me consultado inclusive com a Dra. Tanit Ganz Sanchez, da USP, em SP, que detectou uma perda auditiva em alta frequência (fora da zona audível) no ouvido esquerdo, determinando que meu zumbido estava próximo de 11,2 KHZ. Segundo ela, minha perda auditiva não foi provocada pelo som. O som foi só o “fator desencadeador” de algo que estava oculto e que apareceria mais dia, menos dia. Tomei Miosan a 10mg durante 2 meses. Deu um relaxamento incrível, mas o zumbido ficou na mesma. Parei com o Miosan. Como sentia muitas dores na cabeça e pescoço, pesquisando, descobri sobre os problemas na ATM. Fui à Clínica do Dr. Edson Mariano, aqui em BH e descobri que eu tinha um problema na ATM, do qual já sofria há cerca de 20 anos, sem saber. Iniciei tratamento fisioterápico, com laser e também com uso da placa de estabilização à noite. As dores de fato diminuíram sensivelmente. Há cerca de 6 meses percebi que quando eu fazia academia, após fazer um esforço maior, como na musculação, aparecia um tic tic tic no ouvido esquerdo que só sumia após tomar miosan e ter uma boa noite de sono. Dia 26/06/13, após ir à academia e fazer um “esforço físico a dois” (sexo), o tic tic voltou e não sumiu mais. Meu Fisioterapeuta (especialista em ATM) acredita que possa ter havido alguma distensão no músculo por esforço ou algum problema no disco da articulação. Até hoje não encontrei ninguém que conseguisse me dar um diagnóstico claro do meu problema ou que conseguisse qualquer melhora em meu zumbido. Já estou no “terceiro estágio” de piora e vivo em constante tensão, sempre na expectativa de como será a próxima piora. Caso eu vá até o seu consultório, há alguma perspectiva de tratamento ou melhora para minha situação? Não sei se é importante, mas eu tinha a mordida aberta e cruzada (cabia um dedo entre os dentes com a boca fechada). Fiz tratamento ortodôntico, mas não ficou perfeito. Meus dentes superiores não fecham por fora dos inferiores e sim em cima deles, o que sempre causou algum desconforto e até um pouco de dor nos dentes.
Aguardo sua resposta, pois preciso de uma luz. Ando muito abatido.
Um abraço!

Maurício Marques

Maurício, você possui alguma imagem de suas ATM? Ressonância magnética? Se sim, qual foi o diagnóstico ?

Nâo possuo. O diagnóstico foi apenas clínico. Meu Fisioterapeuta realmente me disse que seria preciso um raio X ou uma Ressonância Magnética para visualizar melhor o problema. Seria imprescindível para um diagnóstico melhor?

Até agendei uma consulta para o início de Agosto com um especialista em cirurgia buco-maxilo no intuito de analisar a estrutura óssea e da ATM, mas ainda vai levar mais de um mês.

Ok, mas fique esperto porque via de regra cirurgião quer operar….

Maurício, a ressonância magnética é realmente fundamental mas ela não dá o diagnóstico, apenas permite a visualização das lesões. O diagnóstico é saber o que causou tai lesões, a extensão (as estruturas acometidas), a relação das lesões com o funcionamento muscular, bem como a cinemática, além de verificar a relação com os sintomas e a possibilidade de reversão…

At.te,
Marcelo Matos

Aí Maurício, eu também comecei assim. Com ouvido doendo depois de ir em shows, boates. Engraçado que só eu tinha isso.Meus colegas não.

Dr. vejo que o senhor é meio contrário as cirurgias.Mas olha só, e se for dado diagnóstico correto, sobre ter que operar, o senhor concorda?

Dr Marcelo, acompanho bastante seu Blog.

Na maioria das vezes os problemas oclusais são consequência de algo errado na ATM.

Mas no caso em que um problema oclusal é causa direta de uma mordida totalmente errada que ao longo do tempo gerou um deslocamento da ATM por exemplo. Trata-se o quê primeiro?

Você na área de ATM já provou que é possível reverter quadros como deslocamentos e reabsorções. considerados muitas vezes “incuráveis” pelos Especialistas “comuns” de ATM. Tratados só com abordagens tradicionais paliativas

Nos Estados Unidos, só que na Ortodontia, tem um Dr (William Hang) que como você age diferente das abordagens “tradicionais”. Segundo ele, é possível reverter extrações de dentes,que muitas vezes geram um encurtamento das arcadas, envelhecimento, problemas na ATM(segundo ele) etc, reabrindo/reexpandindo os espaços e colocando implantes…

Qual sua opinião pessoal sobre essa abordagem.

O site dele possui vários videos e artigos sobre isso
http://www.facefocused.com/ReOpen.html

Givanildo, você perguntou:

“Mas no caso em que um problema oclusal é causa direta de uma mordida totalmente errada que ao longo do tempo gerou um deslocamento da ATM por exemplo. Trata-se o quê primeiro?”

Primeiro teria de confirmar a hipótese do problema oclusal ter sido, de fato, o causador do deslocamento de disco. O que por si só nem sempre é uma tarefa fácil. Agora supondo que seja realmente oclusal, uma vez que a ATM tenha sido afetada, o tratamento tem de começar pela ATM. Explico: a ATM é como a fundação de um prédio e uma vez que tenha sido afetada é preciso ser restabelecida para que o prédio não caia. De maneira resumida, teria de se restabelecer uma nova posição ortopédica para essa mandíbula de acordo com a condição da ATM e suas necessidades neurofisiológicas e, posteriormente, lidar com os problemas oclusais.

Sim, já conhecia o site do Dr. Hang. E conheço um pouco da linha de trabalho dele através do Dr. Dave Singh, que possui artigos científicos publicados em conjunto com o Dr. Hang. Tive oportunidade de me encontrar com o Dr. Singh em eventos da AACP (Academia americana de Dor Craniofacial) e fazemos parte atualmente da IAO – International Assocation for Orthodontics, que possui uma subdivisão voltada para ATM. E sim, ele está certo quanto aos problemas relacionados ao encurtamento das arcadas, envelhecimento precoce, etc.

Ele adota uma abordagem ortopédica (nesse contexto que estamos abordando, “ortopedia” significa a busca da relação correta entre mandíbula e a maxila, a parte que está presa ao crânio) baseada principalmente na posição das vias aéreas, algo com certas semelhanças ao que faço. Entretanto o foco dele está na correção facial estética, baseado em uma filosofia ortopédica e ortodôntica conhecida como Orthotropics. Ele utiliza uma série de aparelhos ortopédicos funcionais denominados de Biobloc, que foi desenvolvido pelo Dr. John Mew na década de 1980. Gosto de acompanhar as publicações do grupo dele, pois tem coisas bastante interessantes.

Entretanto, do ponto de vista da ATM, a linha de trabalho que ele segue possui limitações importantes em termos de diagnóstico diferencial. Isto abre uma janela significativa de diferenças entre nossas formas de tratar. Em todas as reuniões científicas da IAO e AACP nunca ví, por exemplo, casos tratados por ele com ressonância magnética antes e depois mostrando recuperação da ATM. Apenas vejo pré e pós-tratamento bem documentado relacionado à parte estética e respiratória, mas não ATM.

Atenciosamente,
Marcelo Matos

Olá
Fiz um ressonância a pedido do meu médico, após ele ver o resultado falou que tenho um desgaste,falou que tenho que por um pino, mas que não melhoraria totalmente que dps teria que fazer um tratamento. Você acha que seria necessário a cirurgia?

Fernanda, leia aqui: Devo fazer cirurgia da ATM?

At.te,
Marcelo Matos

Boa tarde, Dr. Marcelo
Procurei recentemente um buco-maxilo para retirar os 04 sisos. Meus sisos de cima não nasceram e estão virados pressionando os outros dentes. Relatei os problemas e acabamos conversando também sobre meus problemas na ATM e tensão muscular. Eu fui diagnosticada com hipermobilidade da ATM após muito tempo tratando o ouvido para zumbido, tontura e desequilíbrio. Já fiz várias sessões de fisioterapia que não resolveram o problema da ATM, mas aliviaram a tensão muscular e a tontura. O buco-maxilo me indicou fazer a cirurgia ortognática para reposicionar os dentes, pois ele acredita que o ortodentista não conseguirá alinhar meus dentes (uso aparelho há mais de 01 ano e meio)e que esse desalinhamento pressiona força muito a articulação, já que só consigo mastigar nos lados da boca. Só que uma cirurgia cara com um longo período de recuperação, além de que vou ter que brigar com meu plano de saúde para conseguir fazer. Fiquei meio assustada com tudo e ao ler seu artigo, fiquei temerosa de que tantos esforços não resolvam o problema. O que acha?

Déborah, a questão é ainda um pouco mais complexa…

O correto é tratar primeiro a ATM e depois verificar a necessidade da cirurgia ortognática, pois muitas vezes o tratamento da ATM em si torna dispensável a cirurgia, ou a torna de menor porte.

atenciosamente,
Marcelo Matos

Olá DR. Marcelo,

Há três anos padeço de dor na ATM, tendo passado todo tipo de problema em torno disso. Eis que ontem visitei novamente um buco- maxilo que me garantiu que o problema não foi resolvido, pois meu caso não seria de uma discopexia visto a reincidência de dor e problemas articulares ser muito alta. Ele então me indicou a ortognática. Eu já conhecia essa cirurgia para correções da face, mais não DTM. Ele me disse que precisaria aliviar a pressão na articulação e faria uma ortognática vertical, depois de eu me preparar com ortondontia pois isso resolveria o problema de vez. Eis que agora leio no seu blog que não é indicado. Ele disse que o meu próprio organismo criaria um calo no lugar correto e isso resolveria de vez o problema. Tenho doença auto-imune. Fibro, doença de reynaud, sou sou celíaca e tenho hipotiroidismo. Não sei mais o que fazer. Fora a dor que nem a morfina tira ainda esse problema todo para operar. Então só completando, não é indicado, é isso?! Onde fica seu consultório? Conhece alguém de sua confiança em Ribeirão Preto? Obrigada, aguardo contato

Juliana

A ATM pode ser afetada por qualquer doença sistêmica que afete outras articulações e/ou órgãos que tenham componentes similares, como o colágeno, por exemplo. No seu caso, pelo seu relato com tanto componente auto-imune, eu já teria muito cuidado com qualquer coisa que fosse invasiva. O que acontece se depois de tudo isso ainda continuar com dor?
Some a isso, o fato de que existem maneiras conservadoras de descomprimir e colocar a ATM para funcionar, o que dá bastante segurança de “voltar atrás” se o tratamento não funcionar…
Infelizmente não tenho um nome para lhe indicar em Ribeirão Preto.
Minha clínica fica em Salvador, Bahia e caso tenha disponibilidade de vir, entre em contato no tel. (71) 3248-4434

Atenciosamente,
Marcelo Matos

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