Muitas pessoas fazem uso destes dispositivos mas será que eles resolvem?

Historicamente, as placas oclusais são quase tão antigas quanto a própria odontologia. Dispositivos de madeira já eram usados na idade média como mordedores para que mulheres que estavam em trabalho de parto pudessem fazer força.  Mas foi só início do séc. XX com a fundação da Sociedade Gnatológica Americana pelo Dr. Beverly B. McCollum em 1926, inspirado pelos recém estabelecidos principios gnatológicos,  que as placas oclusais ganharam mais força.

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Em uma postagem anterior, escrevi sobre o que é a síndrome dolorosa miofascial (SDM) e o porquê, no campo das dores da cabeça e da  face, ela só pode ser diagnosticada por exclusão. Entretanto, muita gente recebe um diagnóstico primário de SDM ou mesmo a confunde com uma disfunção muscular da ATM, mas qual é a diferença?

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Frequentemente recebo e-mails ou comentários aqui no blog, mencionando um tipo de situação que é a seguinte:

A pessoa faz um tratamento ortodôntico mas que no decorrer do mesmo desenvolve sintomas de uma disfunção da ATM.  Ao relatar ao dentista, este entra com um tratamento à base de  remédios, compressas e exercícios, eventualmente algum tipo de placa oclusal também e, em muitos casos, o paciente até melhora. Posteriormente, ao retomar o tratamento ortodôntico, os sintomas da DTM retornam e o paciente fica confuso ou mesmo angustiado.  O que acontece em casos assim?

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Anquilose de ATM. Fonte: http://www.dmfiua.com/16.html

Uma anquilose pode ser definida como a fusão das superfícies articulares, ou seja, quando um osso se “solda” ao outro, sendo sua maior característica o fato da mandíbula ficar impedida de se movimentar. Esse tipo de distúrbio da ATM, afeta a mastigação, a digestão, a fala, a higiene e, quando ocorre durante a fase de crescimento, provoca uma deformidade da face (uma assimetria), que pode comprometer severamente a qualidade de vida.

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Continuando a série “Oclusão e disfunção da ATM”

6. O que se sabe atualmente dessa relação entre oclusão e DTM?

Processo degenerativo na ATM

Fig. 1 Processo degenerativo no côndilo da ATM

Bom, sabe-se hoje que em boa parte das situações, a oclusão dentária sofre as CONSEQUÊNCIAS do que ocorre na ATM.  Como exemplo, podemos citar um fenômeno conhecido, que é o fato de que um traumatismo no queixo pode produzir uma má oclusão aguda, devido à um “derrame” (edema/inflamação) na articulação que impede o côndilo mandíbular de  se acomodar na cavidade articular e consequentemente de encaixar os dentes. Outros exemplos clássicos são: as assimetrias do terço inferior da face com inclinação do plano oclusal (é um desvio lateral da posição do queixo e dos dentes) em casos onde há um deslocamento de disco de um lado só; a mordida aberta provocada por uma artite reumatóide juvenil ou mesmo por qualquer outro tipo de processo degenerativo que afete a ATM, como já expliquei em outras postagens. E há ainda muitas outras situações que abordarei em outra oportunidade. Nas Figuras 1 e 2 pode-se observar um caso de  mordida aberta que recidivou após correção ortodôntica, pois não havia sido detectado o processo degenerativo articular.

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Oclusão dentária: Qual a relação com disfunção da ATM?

Oclusão dentária: Qual a relação com disfunção da ATM?

Muito se fala em oclusão. O internauta que se põe a pesquisar sobre esse tema encontra informações contraditórias que vão aos extremos: de um lado vê-se sites e profissionais de saúde que  afirmam categoricamente que a oclusão é a responsável pelas disfunções da ATM e, do outro, profissionais que afirmam exatamente o oposto. Assim, faz-se mais que necessário ter este assunto abordado aqui no blog. Entretanto, devido à complexidade desse tema, dividirei em varias postagens, que poderão ser acessadas pelo marcador “oclusão” no menu de marcadores à direita do blog.

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Zumbido

Zumbido

Zumbido e ATM sempre foram assuntos controversos, alías, ainda é. Mas, por quê?

Primeiro que ambos não são ainda totalmente compreendidos pela ciência. Claro que já sabemos bastante coisa, mas o que não sabemos parece ter ainda mais significância.  A relação entre o ouvido e a ATM tem sido debatida desde o tempo de Costen, um médico ototrrinolaringologista  que tornou o tema conhecido quando publicou um trabalho em 1932 relacionando dentes, ATM e ouvido. Entretanto os avanços científicos na área ainda não conseguem definir exatamente qual a relação entre esses problemas.

Segundo um estudo recente, publicado na Cranio: the Journal of Craniomandibular Pratice por pesquisadores brasileiros, a incidência de sintomas ligados ao ouvido em pacientes com problemas na ATM é maior que os que não possuem. Os autores constataram que 60% dos pacientes com sintomas na ATM também relataram zumbido e 90% sensação de ouvido tapado, enquanto apenas 25% dos que não tinham problemas na ATM, relataram zumbido.

Uma das possíveis explicações estaria no fato e haver uma relação neurológica entre alguns músculos mastigatórios e alguns dos músculos que controlam a via condutiva/aérea da audição. Entretanto, a dinâmica dessa relação ainda não está totalmente esclarecida.

Como o zumbido pode ter como causa uma grande variedade de fenômenos tais como doenças sistêmicas, doença no próprio aparelho auditivo, reação a medicamentos, deficiência de determinados minerais, trauma acústico e, suspeita-se atualmente, um provável distúrbio de interpretação, pelo próprio sistema nervoso, dos impulsos audivos, é que se torna necessário uma avaliação bem detalhada feita por um otorrinolaringologista ou um otoneurologista.

Então não se precipite, como o papel da ATM pode ser apenas um dentre vários possíveis, é importante começar sua investigação com um otorrino/otoneuro e, aí sim, procurar um profissional que possa verificar também sua ATM.

Em postagens futuras,  voltarei ao tema “zumbido”.

Fique esperto!

Finalizando a série: >> É possível fechar o diagnóstico SEM os chamados “exames complementares”?

Quanto vale a saúde? Quem pode julgar que valor outra pessa dá à propria saúde?

Quanto vale a saúde? Quem pode julgar que valor outra pessa dá à propria saúde?

    1. Sim, porque na anamnese e exame clínico as coisas podem estar claras e fechar o diagnóstico com base nos sinais e sintomas;
    2. Sim, pois assim como na medicina, há doenças que o diagnóstico é eminentemente clínico como, por exemplo, a fibromialgia.
    3. Sim, depende da experiência do profissional;
    4. Sim, pois nem todo paciente pode pagar por uma ressonância magnética ou uma tomografia e aí se pode diagnosticar e tratar com base no diagnóstico clínico.

E analisando a quarta resposta…

    O “sim” número quatro é o que menos me agrada… Primeiro que é altamente preconceituoso. Como o profissional vai saber quem pode ou não pagar por um exame? É quase como privar uma pessoa de um diagnóstico correto por sua condição financeira! Imagine você, leitor, entrando num consultório atrás de respostas para seus problemas de saúde e recebendo um sub-diagnóstico, apenas porque o dentista ou o médico achou que você não poderia pagar por um determinado exame… Realmente, não vejo com bons olhos esse critério. Além de tudo, esse argumento, é quase como uma concordância de que os estudos complementares são também fundamentais, pois carrega basicamente a seguinte mensagem subliminar: “É… Já que não posso fazer o melhor [com o diagnóstico correto] vou dar um jeitinho [sem os estudos necessários]” Seria até um comportamento válido numa situação de guerra ou caos social, quando não se pode fazer 100% e tem de se contentar com o pouco que for possível, mas não em um consultório particular e nem SUPONDO que o paciente seja incapaz de conseguir os exames necessários… Fique esperto!
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