Bactérias e ATM

Muitas vezes um tratamento de disfunção da ATM não evolui bem e o motivo pode ser por uma infecção não diagnosticada.

Infecção bacteriana na ATM é algo já conhecido da ciência. Em 1999 o prof. Learreta, J.A. publicou um trabalho, que demonstrava a regeneração completa da ATM, vista em ressonâncias magnéticas antes e depois de tratar uma infecção por estreptococo beta hemolítico, uma bactéria relativamente comum nas infecções de garganta e que já era uma conhecida causadora de doenças articulares. Ainda no mesmo ano, Henry e colaboradores detectaram pela primeira vez a clamídia trachomatis (que é uma bactéria bem nociva para o ser humano) no tecido das ATM’s de pessoas com disfunção.

De lá para cá, inúmeros trabalhos destes e de outros autores demonstraram a presença de vários tipos de bactérias associadas a problemas nas ATM’s e o mais intrigante é que essas infecções passam despercebidas por anos, pois se tornam sub-clinicas, ou seja, produz poucos ou nenhum sintoma comuns às infecções como pus, vermelhidão e dor local.

Desta forma, uma bactéria que se fixe dentro da ATM, poderá permanecer por um longo período, anos até, provocando lesão e induzindo um processo degenerativo auto-imune. Isto é, as defesas do sistema imunológico do corpo acabam lesionando também estruturas que não deveriam ser “atacadas”.

Referências:

  1. Learreta JA. Regeneration ad integrum of the condyle head in a patient with temporomandibular disorders. Cranio 1999 Jul: 17(3):221-7.
  2. Henry CH et al. Identification of Chlamydia trachomatis in the human temporomandibular joint. J Oral Maxillofac Surg 1999 Jun: 57(6): 683-8; discussion 689.


Comentários postados (4)

Dr. Marcelo,
Como posso descobrir se tenho este tipo de infecção bacteriana na atm? Desde que arranquei um siso (que estava incluso e muito perto do nervo) há 3 anos atrás sinto dores fortíssimas não só na atm mas na cabeça também e no pescoço e no ouvido. Na época que arranquei o siso deu problema, fiquei mais de 2 meses tomando remédios e a dor não parava. Então resolveram abrir e fazer uma limpeza no local e realmente o tecido estava alterado (foi o que o dentista me disse) e estava infeccionado. Só que depois da limpeza a dor deu uma trégua mas depois voltou. E passei a ter crises quase diárias de dor de cabeça (e outras dores também com ouvido, garganta etc. só que para mim a pior era a dor de cabeça). Fiquei com alergia a dipirona de tanto tomar novalgina, dorflex e outros tipos de remédios pra dor. Depois passei pra parecetamol, dorilax, etc, mas nada adiantava. Então descobri que o predsin me tirava da crise e tomei predisin por muitos meses. Mas depois porcurei um especialista em dor orofacial e ele me passou cloridrato de amitriptilina, que eu toma há quase um ano. A amitriptilina fez com que as crises tivessem um espaço maior, mas continuo tendo crises e aí tenho que tomar tandrilax e dramin além da amitriptilina. Recentemente um exame demonstrou que tem algo estranho no lugar onde extraí o siso. Um dentista achou que poderia ser um resto de raiz, mas o dentista que arrancou meu dente disse que não deixou raiz nenhuma, que deve ser um remédio que ele colocou lá e que se solidificou. Um outro exame também revelou artrite nas atms. Bom, desculpe este texto enorme, mas é que fiquei pensando se não pode ter acontecido de eu ter esta tal bactéria até hoje.
grata

Lilian, creio que sejam dois problemas distintos: um na ATM e outro no siso.

Quanto ao problema na ATM, sugiro que você leia este texto aqui:

Patologia e disfunção da ATM: o que esperar dos profissionais da área?

Atenciosamente,
Marcelo Matos

Que tipo de exame é feito para detectar se uma pessoa tem estas bactérias na atm, já que esta infecção produz poucos ou nenhum sintoma comuns às infecções como pus, vermelhidão e dor local?

Márcia

Isso é tema para uma conferência inteira, não daria para ser discutido aqui em detalhes, mas de uma maneira resumida, vai depender do tipo de bactéria que se pretende pesquisar e de vários outros fatores. Algumas por exemplo, podem ser detectadas no líquido sinovial via punção articular com posterior análise (cultura, PCR, etc), em outras situações, apenas uma combinação de evidências clínicas, sorológicas e por imagem, somados à experiência do profissional com base em outros casos tratados, é que permitirão fechar o diagnóstico, da mesma forma que ocorre na área médica.

Atenciosamente,
Marcelo Matos

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