Artroplastia da ATM

Está cada vez mais comum a realização desse tipo de cirurgia e, consequentemente,  recebo mais e mais perguntas de internautas sobre esse tipo de procedimento. Portanto, segue algumas informações  que todo mundo precisa saber antes de fazer uma artroplastia.

O que é artroplastia da ATM?

Cirurgia aberta para dar acesso as estruturas articulares

Do grego ( arthron--plastos ) arthron = articulação e plastos = modificação do formato, reconfiguração.  É um procedimento cirúrgico aberto, realizado sob anestesia geral, com a finalidade de modificar alguma estrutura interna ou mesmo re-anatomizar a ATM. É um tipo de cirurgia usada desde o início do século XX  para tentar tratar as anquiloses  de ATM, que ocorrem quando um osso se une ao outro impedindo a articulação de funcionar. Inicialmente os cirurgiões tentaram utilizar gordura,  rebatimento de músculo e até materiais artificiais para impedir os ossos de voltarem a se unir após a cirurgia. Com o passar dos anos, muitas variações técnicas foram aparecendo com as mais diferentes finalidades inclusive a substituição da ATM por próteses. Atualmente, é muito comum de ser oferecida a pacientes que possuem muitas deformidades na articulação, incluindo a anquilose e a pseudo-anquilose.

Tomografia onde se pode observar áreas de anquilose na ATM

Quais são os riscos da  artroplastia da ATM?

Como toda cirurgia, há os riscos de infecção, de problemas cicatriciais, de intercorrências na anestesia, dentre outros, mas que podem ser controlados por um bom manejo das técnicas cirúrgicas e de biossegurança. O risco maior da artroplastia é a IRREVERSIBILIDADE, ou seja, se não resolver o problema na ATM, não há como voltar atrás e deixar tudo como era antes, nem sequer parecido.

Quais são as principais sequelas?

Parestesias (perda de parte da sensibilidade) na face, paralisias faciais, quando ocorre lesão do nervo facial, anquiloses pós-cirúrgicas  e a principal delas que é  não ter o problema da ATM solucionado e continuar com dores, dificuldade para mastigar, para movimentar a mandíbula e disfunção. Há ainda o fato de que muitos pacientes acabam re-operados, aumentando assim assim os custos e o desconforto com reabilitação, fisioterapia, o tempo afastado de atividades profissionais e o agravamento do quadro.

Quais são as indicações reais da artroplastia?

Ainda que sejam resultados limitados, a indicação ainda é em situações de anquiloses e de grandes deformações da ATM. Também é realizada em conjunto com situações de ressecção do côndilo em caso de tumores, onde é realizada uma re-anatomização do segmento ósseo que permanece, para voltar a funcionar como uma articulação. Ainda assim, é um procedimento que o paciente precisará estar sempre em acompanhamento pois a área operada pode voltar a anquilosar. Esse tipo de cirurgia, eventualmente, pode ser bastante útil  em um caso onde há uma combinação com um reposicionamento ortopédico da mandíbula.

A atroplastia resolve os problemas da ATM?

Sim e não.

Sim, nos casos onde uma anquilose impede o paciente de sequer abrir a boca ou há grandes deformações condilares ou mesmo um tumor, que tenha sido removido. Nestes,  uma artroplastia pode sim melhorar a condição.

Não,  porque há uma tendência dos cirurgiões em oferecer esse tipo de tratamento para pacientes com desarranjo interno com  osteoartroses e osteoartrites que, AINDA QUE SEVERAS,  podem ser tratadas com mais segurança por outras técnicas. Nesses casos, os pacientes acabam sendo submetidos a uma artroplastia desnecessária e depois terá de conviver com as sequelas e com uma grande chance de continuar com dores e disfunção. Em minha experiência particular, tem se tornado frequente a chegada de pacientes aqui no consultório que passaram por uma artroplastia e estão muito piores que antes.

“Dr. Marcelo, eu tenho disfunção da ATM e já usei placa, remédios, fiz fisioterapia  e todo tipo de tratamento conservador, mas não tive resultado. A artroplastia poderia ser uma solução para mim?”

Essa é uma pergunta das mais frequentes e minha resposta é a seguinte:  se a indicação for anquilose, tumores, fraturas graves e grandes deformidades articulares, a artroplastia (junto com outra técnica cirúrgica que se faça necessária) pode ser bastante útil. Se essas indicações não se aplicarem ao caso, mesmo que  todos esses tratamentos conservadores tenham falhado, a artroplastia não deverá ser indicada, pois as chances de falhar são basicamente as mesmas, já as de deixar sequelas são bem maiores.

Se ocorrer todas essas falhas com os tratamentos conservadores, o melhor e mais correto  é reavaliar o diagnóstico, pois em situações assim, normalmente há algo que passou despercebido e que, se for encontrado, pode mudar o curso do tratamento.  Outras vezes, a situação é complicada e limítrofe em relação aos conhecimentos científicos disponíveis atualmente e é preciso ter muito cuidado para não se complicar ainda mais com uma artroplastia.

Qual a alternativa se a artroplastia não for uma boa opção?

A principal delas é fazer uma abordagem de restabelecimento  neurofisiológica em termos de patologia da ATM. Isso implica descobrir o motivo pelo qual as lesões estão ocorrendo, rastrear as causas e as formas de controle da doença  e estabelecer uma terapêutica de reversão das lesões (quando possível) ou de controle, mas que descomprima a ATM e otimize suas funções. Com esse tipo de abordagem, eu não tenho tido a necessidade de indicar pacientes para artroplastia, mesmo pacientes com osteoartroses e osteoartrites severas, com processo degenerativo  avançado e “sem outra opção de tratamento”. Não, que não possa vir a acontecer, pode, mas em dez anos de clínica ainda não necessitei encaminhar para esse tipo de cirurgia.

Um exemplo é o caso clínico de regeneração de côndilo que apresentei em um congresso no Chile em 2008, que pode ser visto aqui: Regeneração condilar em um caso de osteoartrose severa (no texto há o link para o painel com o resumo do caso).

Assim, tenha muito cuidado antes de se submeter a uma cirurgia, pois pode ser um caminho sem volta. Aos que se interessam, deem uma olhada na postagem sobre a jornada de Abby, uma americana que já passou por muitas cirurgias e resolveu colocar a história dela em um blog. Tem também a Marilac que postou uma história impressionante aqui no blog, também o próprio FDA americano (que é mais ou menos como nossa ANVISA) emitindo um parecer por conta da quantidade de problemas com prótese de ATM… Enfim, infelizmente essa é uma realidade.



Comentários postados (11)

Artproplastia quando realizada por um cirurgião experiente tem como principal desconforto o edema agudo pos operatório. Existem outras indicações alem das mencionadas.
Os próprios pctes percebem limitação dos tratamentos oclusais conservadores e procuram a saída para mudar a QV (qualidade de vida).
´E importante o pctes saberem que esses tratamentos irão auxiliar a mautenção da homeostasia articular.
Sem dúvida qq cirurgia tem riscos. Por exemplo cirurgia bariatrica (“reducao do estomago”) tem como risco o óbtio. Porem quando bem indicada não pq não fazer. O importante é boa indicação ( que vai alem das anquiloses), Ténica apurada e controle pos operatorio detalhado (com cuidados conservadores multidisciplinar).
Essa é a possibilidade de pctes com dores cronicas que não cederam ‘a nenhum tipo de tratamento a levar uma vida com Qualidade de Vida melhor.
obrigado

Paulo, sim a artroplastia possui outras indicações. Acontece que essas outras indicações falham tanto quanto os tratamentos convencionais e ainda geram riscos de sequelas, veja as postagens: jornada de Abby e também a Marilac

Você escreveu:

“E importante o pctes saberem que esses tratamentos irão auxiliar a mautenção da homeostasia articular.”

Tenho uma pergunta para você: Como você confere e mede a “homeostasia” articular? Como você sabe que a ATM está mais sadia após o procedimento?

Pela avaliação clínico e de exames de imagem.
O pcte apos a artroplastia tanto aberta como por video,
Irá ser conduzido para uma etapa que a nossa equipe chama de manutenção do ganho. Com uso das opçøes nao invasivas (placa, reabilitaçao oral/oclusal0, acupuntura.
Ele resposte um questionario validado sobre Qualidade de Vida aplicado a DTM. periodicament (semestral)
Junto ao RM TC.
Quando unimos ganho funcional e diminuição algica com manutençao longa desse quadro .
Junto com exames de imagem que apontam a estabilizaçao do quadro ou volta a normalidade anatomica.
Acreditamos q foi obtido um equilibrio articular.

Ps: os artigos atuais falam em um termo que a tradução poderia ser condilos remodelados funcionais. Eles se referem aos condilos com anatomia alterada porem q. a degeneração está estabilizada e com a fucionalidade satisfatória livre de dor.

Esse é um objetico satistfátorio e possivel de alcancar…

um abraço

Paulo, observe que nenhum dos métodos que você mencionou MEDE ou MENSURA a homeostasia articular.

Você escreveu: “Acreditamos q foi obtido um equilibrio articular.”

Acreditar é uma expressão de fé, uma crença, não um dado científico. Há um pensamento que diz o seguinte:

“Se você pode medir algo, então é um fato, caso contrário é apenas uma opinião” de Benjamin Cardoso, Suprema Corte dos EUA

Portanto, em ciência, precisamos medir as coisas e, nesse sentido, observe que o “ganho funcional” e a diminuição álgica, ainda que com manutenção longa, não medem homeostasia articular. No máximo, podem descrever que os resultados da cirurgia são aceitáveis/satisfatório do ponto de vista sintomático, mas nada além disso. Explico o porquê: 1) depende da definição de ganho funcional, 2) da subjetividade da dor e 3) da ferramenta de imagem utilizada.

Então, em ordem:

1) Ganho funcional

se o que você entende por ganho funcional é o mesmo que vejo na grande maioria dos trabalhos da área de cirurgia, ou seja, ganho de abertura de boca (distância interincisal) e movimentos excursionais, então isso é apenas uma pequena fração da avaliação funcional… Seria preciso ainda saber muitas outras coisas como o equilíbrio, simetria e cadência muscular, caraterísticas dos ciclos mastigatórios, cinemática incluindo velocidade, congruência e alinhamento das trajetórias mandibulares, bem como o grau de atrição entre as superfícies articulares para poder falar em HOMEOSTASIA, POIS ISSO IMPLICA UMA BIOMECÂNICA REALMENTE SAÚDÁVEL, LIVRE DE ADAPTAÇÕES FISIOPATOLÓGICAS.

2) Subjetividade da dor

Ótimo que os pacientes tenham uma melhora da dor, mas isso pode ser por vários motivos, dentre eles: eficácia realmente da cirurgia, efeito placebo, regressão à média e remissão espontânea da dor. Além disso, o referencial do paciente muda muito após uma cirurgia, ou seja, muitas vezes ele(a) diminui o nível de exigência quanto à biomecância articular. Eu mesmo passei por isso com uma cirurgia de joelho em função de uma lesão esportiva. Atualmente pode se dizer que meu joelho está recuperado e “funcional” CONSIDERANDO que passou por uma reconstrução… Ou seja, não mais igual ao outro, às vezes incomoda um pouco, a perna tolera bem menos sobrecarga que a outra, sempre tenho mais cuidado e atenção com esse joelho nas atividades físicas, etc. Ele funciona, não dói a maior parte do tempo e passa com saldo por todo e qualquer teste psicométrico, clínico e questionário de qualidade de vida que eu fizer, mas dizer que isso é homeostase é irreal.

3) Exame de imagem

Vejo muitas vezes o diagnóstico feito inicialmente com uma ressonância magnética, por exemplo, mas o acompanhamento pós-cirúrgico feito apenas com radiografias comuns, inclusive em trabalhos publicados por profissionais e pesquisadores renomados! Isso é um absurdo pois camufla a real situação do processo patológico. Para ter estabilidade, no exame de imagem de acompanhamento eu preciso encontrar uma regeneração das estruturas ou, em caso de impossibilidade desse tipo de resultado, conseguir a estagnação ou desaceleração da doença, mas infelizmente não é isso que vejo nem na clínica, nem nas apresentações de trabalhos e colegas em congressos e em trabalhos científicos. Aliás, em novembro do ano passado, na JABRO, um evento nacional e Radiologia Odontológica, houve um cirurgião que apresentou uma conferência e mostrou ressonância pré e pós-tratamentos cirúrgicos, sabe qual foi o resultado? TODOS os casos apresentados mostraram ressonâncias pós tratamento com as ATM em estado lastimavelmente PIOR que a inicial, enquanto que o colega se limitava a informar que a dor havia melhorado… A dor pode até ter reduzido, mas que tinha ficado era um processo degenerativo muito pior!!!

Você escreveu: “(…)com exames de imagem que apontam a estabilizaçao do quadro ou volta a normalidade anatomica.”

Eu gostaria muito de ver uma ressonância magnética pré e pós-cirúrgica mostrando a “volta a normaidade anatômica” pois aí eu poderia mudar de opinião. Mas infelizmente, até hoje, nunca vi um resultado de longo prazo com imagem (RNM e tC) de recuperação da articulação pós-cirurgia. Até imagino que deva existir sim, mas ainda não vi, nem em congressos nem em artigos científicos. Se você tiver algum, teria o maior prazer em conhecer o caso clínico e, se você me permitir, fazer uma avaliação pessoalmente no paciente para verificar se realmente atingiu a homeostase articular.

Enfim, pode ser que, em alguns casos, a cirurgia seja eficaz, mas será que é também é eficiente? Será que não poderíamos obter o mesmo resultado por um caimnho mais eficiente, menos tortuoso e menos arriscado e mais reversível que o da cirurgia?

Att.,
Marcelo Matos

Compartilho com vc a opinao sobre os temas:
ganho funcional ( com todas os detalhes por ti mencionados, com conceitos de mov. bordejantes e das cuspides vips). e Ainda concordo com vc a dificuldade e sobretudo a subjetividade em se avaliar dor. E ainda mais ..Tb concordo com vc a dificuldade e muitas vezes a falta de metodologia em se avaliar os exames de imagens. Ora sem padrao de interpretação pelo radiologista ou pelo clínico.
E usei esses conceitos com os mesmos significados.

Vc me perguntou como eu media homeostasia… e assim como eu eu vc sabe que esse é um termo aplicado a fisiologia dos tecidos, porem quando vc perguntou vc já estava esperando me dar uma resposta e não ouvir a minha opinião sobre o assunto.

Porisso julgo que nossa conversa não esta sendo proveitosa. Pq não vejo uma troca de experiencias (sinceramente). Pode ser que eu n˜eo tenha nada a passar pra ti…(com certeza é isso)….

Eu não preciso te convencer de nada e essa não é a minha intencão…

Agora eu tenho uma certeza… Que as impressoes que vc tem da maioria das cirurgias estão bem equivocadas. Pq elas muitas vezes não são irreversiveis… e posso te assegurar que um pcte submetido a uma artoplastia artroscopica muitas vezes tem um pos op. melhor que a “extração de um siso”. E muitas vezes com menos complicação.

Observe bem que não estou falando de condilectomia e em nenhum momento falei de cirurgia de atm concomitante com ortognática. Eu nåo faco esse tipo de Cirg.
Pra mim o para o pcte ter estabilidade na ortg. tem que ter uma atm saudavel ou no mínimo “estável”. Sei que isso é discutivel.

Agora pra falar a vdd oq de fato me incomoda não é a sua “descrença” na conduta cirurgica… É sim a sua premissa que se um tratamento conservador falhou no seu objetivo e se ele não foi feito por sua equipe …Então ele provavelmente foi conduzido de maneira errada? Posso estar errado mas juro que foi essa a impressão que tiver ao ler o seu blog. E principalmente aos pacientes que aqui procuram ajuda.

Mas sinceramente isso não é preoblema meu.
Acredito depois de ler aquela interpretação sua da estatística de 85% (sucesso) acho? seria ruim para o lucro do seu
consultório… Desculpe se a sua frase não foi exatamente essa.
Mas tenho certeza que estamos em outra sintonia. Objetivos diferentes.

Olá Paulo

Para ser mais objetivo irei te responder transcrevendo em negrito os trechos de seu comentário.

Você escreveu: “Compartilho com vc a opinao sobre os temas:
ganho funcional ( com todas os detalhes por ti mencionados, com conceitos de mov. bordejantes e das cuspides vips). e Ainda concordo com vc a dificuldade e sobretudo a subjetividade em se avaliar dor. E ainda mais ..Tb concordo com vc a dificuldade e muitas vezes a falta de metodologia em se avaliar os exames de imagens. Ora sem padrao de interpretação pelo radiologista ou pelo clínico.
E usei esses conceitos com os mesmos significados.”

Legal que você compartilhe esses conceitos, aproveito para perguntar se você possui casos com esse tipo de recuperação funcional após cirurgia, bem como acompanhamento de imagem (RNM e TC) desses pacientes evidenciando a homeostasia conforme você afirmou na postagem anterior?

Você escreveu: ” Vc me perguntou como eu media homeostasia… e assim como eu eu vc sabe que esse é um termo aplicado a fisiologia dos tecidos, porem quando vc perguntou vc já estava esperando me dar uma resposta e não ouvir a minha opinião sobre o assunto.”

Sim, é verdade. Fiz isso porque você trouxe à tona esse tema. Foi você quem afirmou obter a homeostasia após cirurgia e eu queria saber se falávamos das mesmas coisas. Agora, não é verdade que eu não esteja disposto a ouvir (ler) sua opinião, pois já há várias postagens que peço que você fundamente suas afirmativas com dados científicos e/ou clínicos, como os que acabei de mencionar logo acima. Em realidade adoraria conhecer casos cirúrgicos que atendam a esses critérios, pois isso representaria mais um grande avanço da odontologia.

Você escreveu: “Porisso julgo que nossa conversa não esta sendo proveitosa. Pq não vejo uma troca de experiencias (sinceramente). Pode ser que eu n˜eo tenha nada a passar pra ti…(com certeza é isso)….

Na verdade, está sim sendo bastante proveitosa. Sempre aprendo muito em todas esses debates. Por exemplo, alguns pontos que você apontou me levou a reler muitos artigos do Wolford e do Ellis, usando não o meu prisma mas tentando me colocar sob seu ponto de vista. Isso me ajudou muito a compreender vários aspectos do modo como você e outros colegas da CTBMF enxergam a questão. É como a célebre frase de Blaise Pascal

Você escreveu: “Agora eu tenho uma certeza… Que as impressoes que vc tem da maioria das cirurgias estão bem equivocadas.”

Na verdade, você está enganado. Eu não tenho essa impressão que você sugere. Eu respeito bastante a CTBMF e não teria problema algum em recomendar uma se eu julgar realmente necessário. Acontece que em quase 10 anos de trabalho exclusivo com ATM eu nunca precisei de uma cirurgia radical como procedimento principal.

No ano retrasado tive o primeiro caso que pensei que iria precisar de uma artroplastia, pois a deformidade articular era tão grande que achei que eu não conseguiria restabelecer a saúde articular adequadamente e já estava quase sem recursos, mas ao final acabei conseguindo solucionar sem fazer a cirurgia. Fora isso, eventualmente, já encaminhei para artrocenteses/artroscopia em função de adesões articulares (e outras coisas), bem como encaminhei casos de neoplasias também para a cirurgia. Além disso possuo em minha equipe um cirurgião bucomaxilofacial muito bom, com mestrado e doutorado na área de CTBMF, que também trata ATM e é com quem troco experiência constantemente sobre esses temas. Fora ele, ainda tenho no meu círculo de amizade profissional, quatro outros cirurgiões BMF dos mais respeitados na Bahia, com os quais temos muitos casos clínicos em comum. Também já acompanhei várias cirurgias, como ortognáticas e também de ATM e sei do que estou falando.

Você escreveu: ” (…) Pq elas muitas vezes não são irreversiveis… e posso te assegurar que um pcte submetido a uma artoplastia artroscopica muitas vezes tem um pos op. melhor que a “extração de um siso”. E muitas vezes com menos complicação”

Paulo, uma discopexia é irreversível, uma artroplastia é irreversível, uma prótese de ATM é irreversível no contexto do retorno ao estado anterior. Ainda que você possa remover a prótese ou, no caso da discopexia, remover as âncoras, e “reverter” o que foi feito, uma vez que um tecido tenha sido cortado/incisionado, ele nunca mais é a mesma coisa. Há tecido cicatricial, que alteram suas propriedades mecânicas, há possibilidade de neuromas de amputação, infecção, etc. Além disso, uma vez removida uma âncora de Mitek, por exemplo, nem o côndilo nem o disco é mais o mesmo. Mesmo uma artroplastia, onde se faça uma uma ligeira remoção de um osteófito ou “tratamento da zona retrodiscal” é irreversível, pois não há como voltar ao que era antes. Veja por exemplo a postagem dessa internauta aqui.

Você escreveu: “Observe bem que não estou falando de condilectomia e em nenhum momento falei de cirurgia de atm concomitante com ortognática. Eu nåo faco esse tipo de Cirg.
Pra mim o para o pcte ter estabilidade na ortg. tem que ter uma atm saudavel ou no mínimo “estável”. Sei que isso é discutivel.”

É. Bastante discutível sim… Gostaria muito de conhecer os casos e cirurgia ortognática que possuem ATM saudável, para poder acompanhar a longo prazo. Eu não afirmei que você fazia ortognática combinada com cirurgia de ATM, embora eu tenha realmente citado esse tipo de abordagem quando descrevia procedimentos comuns na área de CTBMF. Tenho uma (outra) pergunta: Quando você é procurado para fazer uma ortognática de classe II severa, por exemplo, e descobre que o paciente possui um processo degenerativo e/ou um desarranjo interno, como você procede com relação à ATM?

Você escreveu “Agora pra falar a vdd oq de fato me incomoda não é a sua “descrença” na conduta cirurgica… É sim a sua premissa que se um tratamento conservador falhou no seu objetivo e se ele não foi feito por sua equipe …Então ele provavelmente foi conduzido de maneira errada? Posso estar errado mas juro que foi essa a impressão que tiver ao ler o seu blog. E principalmente aos pacientes que aqui procuram ajuda.”

Essa premissa foi criada por você. Não por mim. Não me lembro de ter dito/escrito isso em nenhum lugar. Graças a deus, muitas equipes pelo brasil a fora conseguem prover tratamentos com bons resultados. Por exemplo, a Lídia Yavich em Porto Alegre e a equipe dela, a Cosétti Bonfadini em Passo Fundo, RS, o Afonso Teatini em Brasília… Para mostrar o equívoco dessa premissa, basta você verificar que no blog há várias indicações de profissionais de outros estados e de outras linhas e trabalho, como você pode ver nessa resposta à internauta Anita, à Cidinha e muitos outros.

Quanto aos que aqui procuram ajuda, veja essa postagem recente da Kariny, como não orientar uma pessoa que tem documentado com uma ressonância pré e pós-procedimento uma complicação pós-cirúrgica? Aliás, é nosso dever zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da Odontologia e pelo prestígio e bom conceito da profissão (parágrafo I do Art. 5º do código de ética da odontologia), contudo é preciso atentar para não cometer a infração prevista no parágrafo VI do Art. 9º. Mas como não podemos nos abster de cumprir com a promoção da saúde pública (o parágrafo VII, Art. 5º), nem como deixar de manter os usuários informados sobre os recursos disponíveis para o atendimento e de responder às reclamações dos mesmos (parágrafo VI, Art. 24). Seria muito bom se você pudesse respondê-la colocando o ponto de vista de um profissional da CBTMF que trabalha com ATM e é diferente do meu.

Você escreveu: “Mas sinceramente isso não é preoblema meu.
Acredito depois de ler aquela interpretação sua da estatística de 85% (sucesso) acho? seria ruim para o lucro do seu
consultório… Desculpe se a sua frase não foi exatamente essa.”

Não foi essa a estátística, que apontei na postagem do dia 13/06. No artigo que você postou seriam aproximadamente 13% de complicações, assim, do restante 87% (sei que você não postou o percentual exato porque não lembrou de cabeça, mas não é esse o ponto, observe a seguir) ainda teríamos de abater o percentual de resultados nulos, ou sejam, aqueles que não tiveram complicações mas também não resolveram a queixa do paciente, bem como os resultado de pouca expressão, que não são visto pelos pacientes como satisfatório, aí sim poderíamos falar em um percentual “X” de sucesso (não os 87%). Ou seja, se esse percentual é ainda menor, não há nenhum sistema de atendimento do setor privado que possa se sustentar ou ,”dar lucro” como você mencionou. Lembro ainda que na nossa sociedade possui apenas três setores: o público, o privado e o terceiro setor (constituído por ONG´s e entidades filantrópicas), logo, todos que estiverem no setor privado, sejam profissionais de saúde ou não, precisam gerar lucro, para sustentar a nós mesmos (afinal pagamos contas, temos despesas, famílias, etc.)e inclusive os outros dois setores. O lucro não é um crime, nem é pejorativo (como você tentou fazer parecer) é simplesmente necessário e lembro ainda que a cobrança de honorários é um direito previsto no código de ética (Art. 11, ) necessário ao exercício da profissão no setor privado para garantir o primeiro dos direitos fundamentais do cirurgião-dentista: Diagnosticar, planejar e executar tratamentos, com liberdade de convicção, nos limites de suas atribuições, observados o estado atual da ciência e sua dignidade profissional (parágrafo I, Art. 3º). Aliás, é justamente por considerar que o odontólogo lucra em cima da doença e do sofrimento alheio, que o código de ética existe, para garantir que isso seja feito de forma digna, honesta e com decência.

Atenciosamente,
Marcelo Matos

Marcelo

A metodologia de tratamento que sigo, tem como meta a melhora da qualidade de vida do paciente, o mais rápido possível e com a maior estabilidade possível. Pacientes com dor articular recidivante, sem resposta a placa de mordida interoclusal e farmacoterapia, com RM com deslocamento de disco, com o sem redução em 60 dias, indico artroscopia de atm, para remoção de mediadores químicos inflamatórios e reposicionamento discal, pela remoção de aderências intra-articulares e reposicionamento passivo de disco articular. Após o tratamento artroscópico inicial, encaminho a uma especalialista em ATM da minha equipe, para seguir com o tratamento conservador convencional, para manutenção de ganho cirúrgico.

As minhas estatísticas estão bastante animadoras. Associação de procedimentos minimamente invasivos com tratamento conservador, estamos conseguindo uma ATM com ausência de sintomas dolorosos, aumento de amplitude de abertura oral, aumento de mobilidade e movimentação mandibular e melhora em qualidade de vida.

Me encaminhe seu email, que lhe enviarei as imagens artroscópicas de ATM com processos degeneretivos, com limitação de função articular.

A disposição para discussões sadias e com ganho de conhecimento para ambas as especialidades.

Rafael

Olá Rafael, tenho interesse em conhecer seu trabalho e ver as imagens que mencionou. Meu e-mail é: contato@marcelomatos.com

Atenciosamente,
Marcelo Matos

Bom dia Dr. Marcelo.
Eu fiz recentemente esse procedimento de lavagem do disco pois a RM mostrou uma luxação do disco, após o procedimento passei 15 dias com a mandibula imobilizada, a minha cirurgia ocorreu no dia 21/06 e está marcada a retirada dos pinos de fixação para está semana só que desde a semana passada vendo sentindo muitas dores de cabeça e minha coluna e nuca também está bem dolorida, acha que pode não ter resolvido?
Amanhã irei ao médico para falar com ele sobre as dores que venho sentindo.
Obrigado.

ola estou com uma dor orrivel na parte de baixo da minha boca achei q fosse dente do siso mais nao é fui ao dentista e o medico me falo q era uma doença q travava o maquicilar e que eu teria q faser uma cirurgia por que ela vai e volta nao tem cura, e eu gostaria de saber o serto sobre essa doença e o nome dela.
obrigada

Olá, será que alguém poderia me ajudar com um duvida, por favor. Fiz uma cirurgia no ATM no final de Janeiro, a recuperação da cirurgia foi boa, ja estou otima, fiz fisioterapia, mas estou preocupada com os movimentos da sobrancelha, ainda nao consigo mexe-la , já fazem 2 meses e meio, é normal? o meu médico disse que sim, mas estou preocupada.

Comente sobre este assunto

Notifique-me sem que eu precise comentar: